FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO
O
envelhecimento é um processo contínuo durante o qual ocorre declínio
progressivo de todos os processos fisiológicos. Mantendo-se um
estilo de vida ativo e saudável, podem-se retardar as alterações
morfofuncionais que ocorrem com a idade.
Alterações cardiovasculares do envelhecimento
O
aumento da expectativa de vida trouxe maiores conhecimentos acerca
das alterações fisiológicas que ocorrem no aparelho cardiovascular e
no sistema
músculo-esquelético. Permanece, contudo, a dificuldade quanto à
definição da estreita fronteira entre envelhecimento normal e as
alterações patológicas.
O
envelhecimento encontra-se associado a alterações estruturais
cardíacas, que tendem a ser individualizadas. Ocorre o aumento da
massa cardíaca da ordem de 1 a 1,5g/ano, entre 30 e 90 anos de idade.
As paredes do ventrículo esquerdo (VE) aumentam levemente de
espessura, bem como o septo interventricular, mesmo em ausência de
DCV, mantendo, no entanto, índices ecocardiográficos normais. Essas
alterações estão relacionadas com a maior rigidez da aorta,
determinando aumento na impedância ao esvaziamento do VE, com
conseqüente aumento da pós-carga. Paralelamente, há deposição de
tecido colágeno, principalmente na parede posterior do VE. A
infiltração colágena do miocárdio aumenta a rigidez do coração. A
função sistólica mantém-se inalterada, ocorrendo, por outro lado,
redução da complacência ventricular, com prejuízo da função
diastólica, determinando o prolongamento do tempo de relaxamento
ventricular. É provável que esses achados estejam relacionados com a
diminuição da recaptação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático.
Com
o envelhecimento, a modulação da função cardíaca pelo sistema
nervoso autônomo (adrenérgico e vagal) diminui, ocorrendo declínio na
resposta à estimulação adrenérgica do coração senescente. A resposta
ß-adrenérgica reduzida (menor ativação neural e diminuição da
densidade dos receptores ß-adrenérgicos) leva a menor cronotropismo,
inotropismo e vasodilatação arterial. Em conseqüência, durante o
exercício ocorre diminuição da freqüência cardíaca máxima (FCmáx) e do volume sistólico máximo (responsável por 50% da redução do
O2 máx relacionadas com a idade).
O2 máx relacionadas com a idade).
As
artérias sofrem alterações na elasticidade, distensibilidade e
dilatação. O esvaziamento ventricular dentro da aorta menos
complacente favorece o aumento da pressão arterial sistólica,
enquanto o aumento da resistência arterial periférica determina
incremento progressivo da pressão arterial média. As paredes da aorta
tornam-se mais espessas pela infiltração de colágeno,
mucopolissacarídeos e deposição de cálcio, com descontinuação das
lâminas elásticas. A velocidade da onda de pulso está aumentada,
refletindo a redução da complacência vascular. A circulação
periférica sofre alterações morfológicas e funcionais, tais como a
redução da relação capilar/fibra muscular, menor diâmetro capilar e
alteração da função endotelial. Especificamente, ocorre redução na
liberação de óxido nítrico e menor resposta vasodilatadora dependente
do endotélio, embora a resposta dos músculos lisos aos
vasodilatadores diretos esteja inalterada.
Essas
limitações cardiovasculares em conjunto levam à diminuição do débito
cardíaco máximo, que produz redução do consumo máximo de oxigênio
(
O2 máx) da ordem de 0,4 a 0,5ml•kg-1•min-1•ano -1 (i.e., 1% por ano no adulto). Embora características genéticas influenciem na taxa de declínio do
O2 máx, a manutenção da AF regular pode desacelerar essa redução à metade.
O2 máx) da ordem de 0,4 a 0,5ml•kg-1•min-1•ano -1 (i.e., 1% por ano no adulto). Embora características genéticas influenciem na taxa de declínio do
O2 máx, a manutenção da AF regular pode desacelerar essa redução à metade.
Alterações músculo-esqueléticas no idoso
O
sistema neuromuscular no homem alcança sua maturação plena entre 20 e
30 anos de idade. Entre as 3ª e 4ª décadas a força máxima
permanece estável ou com reduções pouco significativas. Em torno dos
60 anos é observada uma redução da força máxima muscular entre 30 e
40%, o que corresponde a uma perda de força de cerca de 6% por década
dos 35 aos 50 anos de idade e, a partir daí, 10% por década.
No
idoso ocorre também redução da massa óssea, mais freqüentemente
em mulheres, que, quando em níveis mais acentuados, caracteriza a
osteoporose, que pode predispor à ocorrência de fraturas.
Após
os 35 anos há alteração natural da cartilagem articular que,
associada às alterações biomecânicas adquiridas ou não, provoca ao
longo da vida degenerações diversas que podem levar à diminuição da
função locomotora e da flexibilidade, acarretando maior risco de
lesões.
Fonte: Rev Bras Med Esporte vol.5 no.6 Niterói Nov./Dec. 1999






