Total de visualizações de página

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Senhora aprende a ler aos 70 anos e sonha cursar Letras!



Senhora aprende a ler aos 70 anos e sonha cursar Letras.


Dona Maria já escreveu mais de 200 poesias em dois anos.

Hoje, aos 73 anos, as mesmas mãos que, por três décadas, semearam terras em Rondônia, ergueram barracos e desafiaram onças empunhando facão, passam a ser o encaixe perfeito de um lápis comum. O desafio da agricultora Maria Moreira de Andrade agora é o papel, uma paixão antiga que, se não fosse pelo incentivo de José, ficaria esquecida. 

E ela segue o pedido de José ao pé da letra. Agora, simplesmente brinca com as palavras como se as dominasse desde sempre. Cansada da realidade, Maria, que se autointitula "a sonhadora", foi responsável em menos de dois anos pela escrita de mais de 200 poesias, a maioria usando como gancho de sua rica história de vida. Ela quer lançar todas em um livro, para que assim, talvez, ganhe o mundo. Exatamente como José queria. 

 A vontade de decifrar os códigos já vem de criança, quando via o seu pai escrever textos e transformá-los em poesia para músicas cantadas em forma de serenata para sua mãe. Maria ficava encantada. Ela quis estudar, mas casou-se cedo e precisou seguir o marido. Saíram de Criciúma, sua terra natal e foram para Roraima, no norte do país. Chegaram em uma terra de ninguém, com mato alto e com animais soltos em seu habitat natural, nos anos 70. 

— Quando a gente chegou lá não tinha nada. Construímos uma tenda de ripas e teto de folha de babaçu. Não tinha móveis, mas criamos alguns com varinha, varinha das árvores mesmo, e um fogão de barro. Eu levava meus filhos para escola de facão na cintura com medo da onça. Eu amava tudo aquilo — lembra. 

Mas, durante esses anos de trabalho pesado, Maria lembra que, antes de dormir, seu marido pegava um livro qualquer e lia em voz alta para que ela escutasse. 

— Eu gostava de deitar no seu peito e ficava sonhando com aquelas palavras. Sim, em toda minha vida o meu marido me incentivou — diz. 

FONTE: Jornal Floripa

Nenhum comentário:

Postar um comentário