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domingo, 23 de novembro de 2014
Solidão é uma das causas de adoecimento na terceira idade.
Segundo o dicionário, solidão é o estado de quem está só, retirado do mundo, isolado. Mas a definição desse sentimento também pode ser encontrada facilmente no olhar do aposentado E.S., 79 anos.
Um olhar que revela algo que não é só tristeza, mas também saudade da história que viveu. "O idoso é alguém que sente falta daquilo que ele foi um dia, minha filha!", diz esse homem de poucas palavras e muita sabedoria.
E quem foi E.S. no passado? Um engenheiro de sucesso, pai de duas filhas, avô de três netas, marido de Dona Alice, com quem foi casado durante 47 anos. "Era através dela que eu enxergava a beleza do mundo. Com ela, meu olhar era sempre lua cheia".
Mas a morte inesperada da esposa, há nove anos, por conta de um infarto fulminante fez com que E.S. passasse a enxergar a vida de outra forma: a lua, sempre cheia, dos seus olhos se fez minguante. "Levaram-me os olhos e a alma". Fechou-se, assim, a janela pela qual ele espiava o mundo mais colorido.
E talvez isso explique um pouco quem é este homem atualmente. Um engenheiro aposentado, que vive sozinho em um apartamento de três quartos em um bairro nobre da cidade.
Mais do que isso: um homem que se sente sozinho, apesar do dinheiro, da atenção dos filhos, dos netos e dos poucos amigos que preservou ao longo da sua história de vida. "Tem gente que, mesmo sozinho, é multidão. Eu sou o oposto".
Uma história da qual confessa sentir muita falta. Uma vida sobre a qual não permite indagações, porquês e justificativas para a solidão que sente.
"Sinto-me só e é isso. Não reclamo a minha solidão a ninguém. Não é algo que se explique. Sei apenas que vou conviver com ela até o fim dos meus dias", diz o aposentado, que parece ter feito desse sentimento a semente com a qual aduba o solo do seu jardim, agora, cinzento.
Fonte: Portal A Tarde.
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