Há muito pouco acerca do consumo de álcool e drogas entre os idosos na literatura internacional e ainda menos no Brasil. O presente estudo revisou mais de cem artigos sobre o tema, com o intuito investigar os fatores de risco para o uso nocivo de álcool e drogas entre idosos, os transtornos psiquiátricos mais associados (comorbidades) e os métodos diagnósticos e de tratamento disponíveis.
Álcool
O artigo aponta que o hábito de beber diminui com o avançar da idade. Cerca de 5% dos indivíduos acima de sessenta e cinco fazem uso nocivo ou são dependentes de álcool. Em média, 10% dos idosos consomem álcool acima dos padrões determinados pela Organização Mundial da Saúde (dois cálices de vinho ou duas latas de cerveja ou duas doses de destilado ao dia).
Os dependentes de álcool podem ser divididos em dois grupos: "início precoce" e "início tardio". O primeiro grupo já apresentava dependência de álcool anteriormente à chegada da velhice. Este grupo tende a beber abusivamente, apresentar histórico de tratamentos anterior, desempenho social comprometido e menor suporte social. O segundo, desenvolveu dependência durante a velhice. Há alguns motivos para o aparecimento tardio:
1- a piora do desempenho físico e cognitivo, naturais da senescência, tornando os indivíduos mais suscetíveis aos efeitos do álcool, mesmo que o padrão de consumo se mantenha estável;
2- o surgimento de complicações clínicas tornando o organismo mais debilitado e vulnerável aos efeitos do álcool e;
3- o aumento do consumo nesse período, associado a perdas e outros eventos estressantes (aposentadoria, morte de entes queridos, surgimento de debilidades físicas ou psíquicas). Esse grupo tende a apresentar um quadro de dependência desenvolvido a partir de momentos de crise. Geralmente encontram suporte social familiar e entre amigos. Há relatos de depressão e com maior freqüência procuram esconder o problema.
As causa mortis mais associadas ao consumo de álcool entre os idosos são a cirrose, o câncer de boca, esôfago, faringe, pulmão, fígado (mama na mulher) e trauma. Tais complicações são semelhantes às encontradas entre usuários mais jovens. No entanto, os idosos estão propensos a estas a partir de doses de álcool mais baixas.
As doenças gastrointestinais e do fígado são as mais comuns entre os usuários de álcool idosos. A esofagite, gastrite e úlceras de estômago são mais freqüentes em usuários mais velhos. Em idosos que também utilizam medicamentos capazes danificar a parede do estômago (como a aspirina), o risco de complicações é ainda maior. Além disso, o consumo pesado de álcool na terceira idade está diretamente associado à diarréia crônica (má absorção de nutrientes) e à pancreatite aguda e crônica.
O consumo pesado de álcool na terceira idade aumenta em quase duas vezes o risco de doenças coronarianas, em especial nas mulheres. Quase um terço das doenças da musculatura cardíaca (cardiomiopatias) entre idosos são causas pelo consumo excessivo de álcool. Já os efeitos sobre a pressão arterial podem aparecer mesmo com o consumo reduzido da substância.
Quanto ao sistema nervoso, o uso abusivo de álcool aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais (derrames). Além disso, ocasiona ou piora quadros de demência e provoca neuropatias periféricas, caracterizadas por anestesia parcial dos pés, com sensação de formigamento e queimação, bem como perda da força muscular e câimbras.
Cerca da metade das quedas sofridas por idosos que procuram auxílio médico está relacionada ao consumo de álcool. A desnutrição também aparece com mais facilidade entre estes indivíduos. O álcool ainda aumenta o risco de complicações sanguíneas (redução de plaquetas ou prejuízo na formação de glóbulos vermelhos) e hidro-eletrolíticas (redução dos níveis sanguíneos de sódio, potássio e magnésio). Entre as complicações psiquiátricas diretamente relacionadas ao consumo de álcool estão a depressão e o suicídio.
A síndrome de abstinência do álcool, assim como o delirium tremens, guarda algumas diferenças em relação aos pacientes mais jovens. Entre os idosos, a síndrome de abstinência pode ser manifestar tardiamente (1 - 3 dias após a última dose ingerida). Ao invés dos tremores, a confusão é o principal sinal. Quadros alucinatórios são predominantemente táteis e visuais, podendo durar meses após a resolução da síndrome. O delirium tremens, que habitualmente se inicia por volta do segundo dia de abstinência entre os mais jovens, pode ser esperado entre o segundo e o décimo dia de abstinência entre os idosos. Doenças de base como diabetes, hipertensão, epilepsia, doenças coronarianas, demência, além de outras, podem tornar o quadro de abstinência (e seu manejo clínico) ainda mais delicado.
Qualquer proposta terapêutica para estes indivíduos deve incluir entre os seus objetivos a melhora do estado clínico geral, o tratamento ou estabilização de doenças crônicas pré-existentes e a reinserção social.
Drogas Ilícitas
Há poucas publicações sobre o consumo de drogas ilícitas entre idosos. Entre os usuários de heroína, o uso endovenoso, associado à AIDS e a hepatite C, compromete seriamente a chegadas destes indivíduos à terceira idade. Entre os usuários de metadona, os dados são imprecisos e impedem qualquer conclusão. O artigo não fala sobre o consumo de cocaína e maconha entre tais indivíduos, mesmo porque o uso difundido de tais substâncias apareceu com mais força nos últimos vinte anos.
Drogas Prescritas
Cerca de um quarto dos idosos utilizam algum medicamento psiquiátrico. As causas mais comuns são insônia, dor crônica, ansiedade e depressão. As principais complicações estão relacionadas aos efeitos colaterais destas medicações sobre doenças pré-existentes ou a interações medicamentosas. No entanto, a dependência a alguns medicamentos prescritos não deve ser esquecida.
Os benzodiazepínicos (calmantes) são utilizados com maior freqüência e dose entre os indivíduos mais velhos. Eles são prescritos sem necessidade e erroneamente em muitos idosos deprimidos, que se beneficiariam apenas com antidepressivos. O uso de calmantes aumenta o risco de quedas e de acidentes automobilísticos. O surgimento de prejuízos cognitivos, entre estes a memória, está diretamente relacionado ao uso crônico desta substância.
Os opiáceos são utilizados para o tratamento da dor crônica, em especial aquelas refratárias a outras abordagens, cuja intensidade compromete seriamente o funcionamento do indivíduo. Quando o paciente é bem orientado, não possui antecedentes de dependência de opiáceos ou álcool e recebe uma dose adequada, o risco de uso abusivo ou dependência torna-se improvável.
O uso nocivo e a dependência de álcool e drogas entre idosos são pouco diagnosticados entre os idosos. Há necessidade de sensibilizar os profissionais da saúde para esse problema. Intervenções que utilizam a motivação para a mudança (ao invés de ameaças e confronto) são as mais indicadas e podem ser aplicadas por profissionais em todos os níveis de atendimento. O tratamento deve ser individualizado, contemplando as carências clínicas e sociais apresentadas por tais indivíduos.
Fonte: Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Envelhecimento e religiosidade
Estudos recentes têm mostrado que a religião contribui satisfatoriamente para o bem-estar de indivíduos de todas as idades, existindo inclusive pesquisas que parecem apontar uma melhora mais rápida no estado de saúde dos doentes, que têm uma crença religiosa e naqueles que possuem outras pessoas orando por eles.
É muito comum, ao entrarmos em igrejas, centros e templos, depararmos com muito idosos presentes nestas atmosferas de fé. Algumas pessoas passam a maior parte de suas vidas inseridas neste contexto religioso, porém outras delas só o fazem quando envelhecem.
Alguns motivos propiciam o interesse do idoso pela religiosidade, tais como:
· Preenchimento do tempo livre pós-aposentadoria;
· Atividade gratuita, o que torna a religião acessível a pessoas de todas as classes sociais;
· Necessidade de encontrar um sentido para a vida;
· Conscientização da morte como um fim para esta vida e conseqüente vontade de perdoar, ser perdoado, em busca de paz espiritual;
· Possibilidade de relacionamento com pessoas que partilham ideais comuns;
· Espaço para exercer a solidariedade através de campanhas beneficentes;
· Estratégia de enfrentamento frente às dificuldades da vida, especialmente os problemas de saúde.
Estes fatores demonstram como a religiosidade pode ser benéfica para o idoso, que se torna mais ativo, interage com pessoas de diferentes faixas etárias, encontra uma importante estratégia de enfrentamento para os declínios proporcionados pelo envelhecimento e, indiretamente, acaba sendo uma forma de estimulação cognitiva (recordação de orações, leitura, atenção, etc).
A religiosidade proporciona um importante suporte social ao idoso, por isto é importante estimularmos nossos idosos a participarem dos rituais religiosos (quando tiverem condições para isto), ou mesmo incentivar a prática religiosa em casa, pois além de todos os benefícios já mencionados anteriormente, a oração no lar pode ser uma forma simples e prazerosa de aproximar a família, pedir juntos, agradecer juntos e orar juntos.
Autores confirmam o que foi dito: “Para a psicologia, a religião pode ser vista como um recurso de enfrentamento que pode oferecer respostas às exigências da velhice, porque facilita a aceitação das perdas ligadas ao processo de envelhecimento, bem como oferece ferramentas psicológicas para o enfrentamento de situações estressantes, sem desequilibrar o indivíduo, ou seja, pode oferecer recursos para a compreensão e aceitação das dificuldades da vida. A religião pode fornecer um sentido, um significado à vida, que transcende o sofrimento, a perda e a percepção da mortalidade (GOLDSTEIN & SOMMERHALDER, 2002, p.951).”
Tendo isto em vista, fica melhor explicado o porquê das igrejas repletas de idosos. Podemos passar a perceber isto com outros olhos: ao invés de pensarmos que igreja é lugar de velhos, podemos ampliar nossos horizontes e refletir sobre a importância da religiosidade (da fé e do suporte social) para um envelhecimento com qualidade de vida.
Fonte: Luciene C. Miranda - Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br
- See more at: http://www.cuidardeidosos.com.br/envelhecimento-e-religiosidade/#sthash.AYy2As8N.dpuf
É muito comum, ao entrarmos em igrejas, centros e templos, depararmos com muito idosos presentes nestas atmosferas de fé. Algumas pessoas passam a maior parte de suas vidas inseridas neste contexto religioso, porém outras delas só o fazem quando envelhecem.
Alguns motivos propiciam o interesse do idoso pela religiosidade, tais como:
· Preenchimento do tempo livre pós-aposentadoria;
· Atividade gratuita, o que torna a religião acessível a pessoas de todas as classes sociais;
· Necessidade de encontrar um sentido para a vida;
· Conscientização da morte como um fim para esta vida e conseqüente vontade de perdoar, ser perdoado, em busca de paz espiritual;
· Possibilidade de relacionamento com pessoas que partilham ideais comuns;
· Espaço para exercer a solidariedade através de campanhas beneficentes;
· Estratégia de enfrentamento frente às dificuldades da vida, especialmente os problemas de saúde.
Estes fatores demonstram como a religiosidade pode ser benéfica para o idoso, que se torna mais ativo, interage com pessoas de diferentes faixas etárias, encontra uma importante estratégia de enfrentamento para os declínios proporcionados pelo envelhecimento e, indiretamente, acaba sendo uma forma de estimulação cognitiva (recordação de orações, leitura, atenção, etc).
A religiosidade proporciona um importante suporte social ao idoso, por isto é importante estimularmos nossos idosos a participarem dos rituais religiosos (quando tiverem condições para isto), ou mesmo incentivar a prática religiosa em casa, pois além de todos os benefícios já mencionados anteriormente, a oração no lar pode ser uma forma simples e prazerosa de aproximar a família, pedir juntos, agradecer juntos e orar juntos.
Autores confirmam o que foi dito: “Para a psicologia, a religião pode ser vista como um recurso de enfrentamento que pode oferecer respostas às exigências da velhice, porque facilita a aceitação das perdas ligadas ao processo de envelhecimento, bem como oferece ferramentas psicológicas para o enfrentamento de situações estressantes, sem desequilibrar o indivíduo, ou seja, pode oferecer recursos para a compreensão e aceitação das dificuldades da vida. A religião pode fornecer um sentido, um significado à vida, que transcende o sofrimento, a perda e a percepção da mortalidade (GOLDSTEIN & SOMMERHALDER, 2002, p.951).”
Tendo isto em vista, fica melhor explicado o porquê das igrejas repletas de idosos. Podemos passar a perceber isto com outros olhos: ao invés de pensarmos que igreja é lugar de velhos, podemos ampliar nossos horizontes e refletir sobre a importância da religiosidade (da fé e do suporte social) para um envelhecimento com qualidade de vida.
Fonte: Luciene C. Miranda - Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Andropausa - alterações sexuais do homem idoso
A questão demográfica
As últimas décadas têm sido acompanhadas por um grande aumento demográfico na população de idosos em todo o mundo. Os avanços na medicina, a descoberta de novos medicamentos, os programas sociais dos governos, os cuidados de prevenção e educação médica contribuem para aumentar a expectativa de vida da população, no Brasil e nos outros paises.
Dessa forma, o ser humano que agora vive mais anos também quer viver melhor esses anos, de preferência continuando a fazer aquilo que sempre lhe deu prazer.
A Organização Mundial da Saúde classifica como idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos. No Brasil, o estatuto do idoso reconhece os direitos dos indivíduos após os 60 anos; prevê-se que em 2025 seremos 30 milhões de idosos.
As características gerais do homem idoso
A terceira idade é um período caracterizado por intensas mudanças físicas, patológicas, sociais e emocionais. O idoso revê seus conceitos sobre dinheiro, trabalho, ambições, beleza, vida, prazer e sexo; prefere mais qualidade ao invés de quantidade em tudo, inclusive nas suas relações sexuais.
A sua função sexual se altera basicamente pelas mudanças fisiológicas e anatômicas do organismo provocadas pelo próprio processo de envelhecimento. Porém, não se pode associar essa fase da vida à perda ou à incapacidade de manter relações sexuais. As dificuldades normalmente se iniciam a partir dos 40-50 anos, pois além da diminuição lenta e gradual da testosterona, há uma maior incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e dislipidemias muitas vezes agravadas pelo fumo, álcool, estresse, sedentarismo e outros fatores de risco.
Além das causas orgânicas, surgem questões de ordem emocional referentes a aposentadoria, casamento, doenças, auto-estima além de fatores sociais e culturais.Em geral, as alterações sexuais masculinas são lentas e progressivas, dando tempo ao homem de se adaptar a uma atividade menos intensa.
Não existe uma disfunção erétil que seja específica do homem idoso, mas sim uma diminuição da sua capacidade sexual global. É importante que os homens conheçam e tenham consciência dessas mudanças, para que uma eventual falha erétil não cause uma ansiedade de desempenho desastrosa, capaz de contaminar e comprometer as relações futuras.
Ao atingir a maturidade, o sexo é cada vez menos carnal, tornando-se cada vez mais afetivo. As relações são menos sexuais e mais sensuais. Aos poucos, o homem se vê obrigado a assumir o papel de protagonista da relação, trocando de lugar com o seu pênis, que até então tinha sido o ator principal da relação. Isso o obriga a uma adaptação, caso contrário, ele fica perdido sem entender as mudanças que ocorrem no seu organismo.
Muitas estatísticas mostram que a atividade sexual diminui com o decorrer da idade, tanto em homens quanto em mulheres; e várias outras estatísticas mostram que homens idosos ainda permanecem sexualmente ativos, uns mais outros menos, mesmo após os 70-80 anos.
Os padrões de comportamento sexual do homem idoso
Com o avanço da idade, o padrão de comportamento sexual dos homens pode ser de 3 tipos:
1- Parecido ao que sempre foi na sua fase adulta madura, onde ele procura manter o mesmo ritmo de relações sexuais a que sempre esteve acostumado.
2- Pode haver uma retração ou inibição da atividade sexual que tende a diminuir ou até desaparecer, como nos casais pouco ativos sexualmente e que se entregam a uma rotina sem troca de afeto, carinho ou paixão.
3- Pode ocorrer uma exacerbação da atividade sexual, numa tentativa de repetir o comportamento sexual da juventude.
Causas da diminuição da atividade sexual do homem idoso
1) Problemas relacionados com a parceira, que pode ser incapaz fisicamente, não ter interesse por sexo ou estar ausente. É fundamental que o homem idoso tenha alguém com carinho e habilidade manual suficiente, capaz de provocar as suas ereções.
2) A má qualidade da relação afetiva, onde existe falta de carinho, afeto e amor. São os casais que já não se gostam, apenas se toleram e muitas vezes nem se suportam.
3) O mau estado de saúde física e mental do casal idoso, portador de artrose, demência, DPOC, seqüelas de AVC, etc.
4) A diminuição da libido, pela queda da testosterona e pela baixa freqüência das relações sexuais.
5) A DE e a ansiedade de desempenho, onde a expectativa de falhar inibe a iniciativa de ter relações pelo medo de passar por constrangimento.
6) Os efeitos colaterais de medicamentos como anti-hipertensivos, antiácidos, beta-bloqueadores, tranqüilizantes, etc.
7) A falta de condições adequadas para o encontro amoroso, como nos casais idosos que moram junto com filhos ou em asilos.
8) A ignorância com relação às alterações naturais do envelhecimento, não respeitando as mudanças biológicas da idade.
9) O negativismo cultural e religioso da sociedade. O idoso absorve a imposição social e cultural de que não deve mais estar interessado em sexo a acaba se reprimindo.
10) A baixa auto-estima que impede o homem idoso de procurar parceiras ou de tomar uma iniciativa nas relações.
As alterações sexuais do homem idoso
1) Ansiedade de desempenho que leva ao medo de tomar a iniciativa de ter sexo.
2) Dificuldade de obter ereções espontâneas quando há necessidade. É preciso que as parceiras estimulem diretamente o pênis de seus companheiros.
3) A ereção é mais lenta, aumentando o tempo necessário para se chegar à rigidez adequada. É comum essa demora detonar a ansiedade que dificulta mais ainda a ereção.
4) As ereções já não são tão firmes e nem se sustentam por tanto tempo quanto antes.
5) Há uma menor capacidade e menor necessidade de se chegar ao orgasmo, possibilitando encontros mais prolongados, mais carinhosos, que não se encerram com o orgasmo.
6) Tem rápida detumescência, quase que imediata ao cessar os estímulos sexuais.
7) Aumenta o período refratário entre as relações, principalmente quando há o orgasmo.
8) Outras alterações:
menor emissão de secreção uretral, menor volume do material ejaculado, menor pressão da ejaculação, orgasmo mais curto e às vezes seco (diabetes e pós prostatectomia), menor ocorrência de tumescência peniana noturna, menor concentração de fibras elásticas nos corpos cavernosos e alteração endotelial vascular.
Fonte: Dr. Henrique Chvaicer - Site PenisNormal.com
As últimas décadas têm sido acompanhadas por um grande aumento demográfico na população de idosos em todo o mundo. Os avanços na medicina, a descoberta de novos medicamentos, os programas sociais dos governos, os cuidados de prevenção e educação médica contribuem para aumentar a expectativa de vida da população, no Brasil e nos outros paises.
Dessa forma, o ser humano que agora vive mais anos também quer viver melhor esses anos, de preferência continuando a fazer aquilo que sempre lhe deu prazer.
A Organização Mundial da Saúde classifica como idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos. No Brasil, o estatuto do idoso reconhece os direitos dos indivíduos após os 60 anos; prevê-se que em 2025 seremos 30 milhões de idosos.
As características gerais do homem idoso
A terceira idade é um período caracterizado por intensas mudanças físicas, patológicas, sociais e emocionais. O idoso revê seus conceitos sobre dinheiro, trabalho, ambições, beleza, vida, prazer e sexo; prefere mais qualidade ao invés de quantidade em tudo, inclusive nas suas relações sexuais.
A sua função sexual se altera basicamente pelas mudanças fisiológicas e anatômicas do organismo provocadas pelo próprio processo de envelhecimento. Porém, não se pode associar essa fase da vida à perda ou à incapacidade de manter relações sexuais. As dificuldades normalmente se iniciam a partir dos 40-50 anos, pois além da diminuição lenta e gradual da testosterona, há uma maior incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e dislipidemias muitas vezes agravadas pelo fumo, álcool, estresse, sedentarismo e outros fatores de risco.
Além das causas orgânicas, surgem questões de ordem emocional referentes a aposentadoria, casamento, doenças, auto-estima além de fatores sociais e culturais.Em geral, as alterações sexuais masculinas são lentas e progressivas, dando tempo ao homem de se adaptar a uma atividade menos intensa.
Não existe uma disfunção erétil que seja específica do homem idoso, mas sim uma diminuição da sua capacidade sexual global. É importante que os homens conheçam e tenham consciência dessas mudanças, para que uma eventual falha erétil não cause uma ansiedade de desempenho desastrosa, capaz de contaminar e comprometer as relações futuras.
Ao atingir a maturidade, o sexo é cada vez menos carnal, tornando-se cada vez mais afetivo. As relações são menos sexuais e mais sensuais. Aos poucos, o homem se vê obrigado a assumir o papel de protagonista da relação, trocando de lugar com o seu pênis, que até então tinha sido o ator principal da relação. Isso o obriga a uma adaptação, caso contrário, ele fica perdido sem entender as mudanças que ocorrem no seu organismo.
Muitas estatísticas mostram que a atividade sexual diminui com o decorrer da idade, tanto em homens quanto em mulheres; e várias outras estatísticas mostram que homens idosos ainda permanecem sexualmente ativos, uns mais outros menos, mesmo após os 70-80 anos.
Os padrões de comportamento sexual do homem idoso
Com o avanço da idade, o padrão de comportamento sexual dos homens pode ser de 3 tipos:
1- Parecido ao que sempre foi na sua fase adulta madura, onde ele procura manter o mesmo ritmo de relações sexuais a que sempre esteve acostumado.
2- Pode haver uma retração ou inibição da atividade sexual que tende a diminuir ou até desaparecer, como nos casais pouco ativos sexualmente e que se entregam a uma rotina sem troca de afeto, carinho ou paixão.
3- Pode ocorrer uma exacerbação da atividade sexual, numa tentativa de repetir o comportamento sexual da juventude.
Causas da diminuição da atividade sexual do homem idoso
1) Problemas relacionados com a parceira, que pode ser incapaz fisicamente, não ter interesse por sexo ou estar ausente. É fundamental que o homem idoso tenha alguém com carinho e habilidade manual suficiente, capaz de provocar as suas ereções.
2) A má qualidade da relação afetiva, onde existe falta de carinho, afeto e amor. São os casais que já não se gostam, apenas se toleram e muitas vezes nem se suportam.
3) O mau estado de saúde física e mental do casal idoso, portador de artrose, demência, DPOC, seqüelas de AVC, etc.
4) A diminuição da libido, pela queda da testosterona e pela baixa freqüência das relações sexuais.
5) A DE e a ansiedade de desempenho, onde a expectativa de falhar inibe a iniciativa de ter relações pelo medo de passar por constrangimento.
6) Os efeitos colaterais de medicamentos como anti-hipertensivos, antiácidos, beta-bloqueadores, tranqüilizantes, etc.
7) A falta de condições adequadas para o encontro amoroso, como nos casais idosos que moram junto com filhos ou em asilos.
8) A ignorância com relação às alterações naturais do envelhecimento, não respeitando as mudanças biológicas da idade.
9) O negativismo cultural e religioso da sociedade. O idoso absorve a imposição social e cultural de que não deve mais estar interessado em sexo a acaba se reprimindo.
10) A baixa auto-estima que impede o homem idoso de procurar parceiras ou de tomar uma iniciativa nas relações.
As alterações sexuais do homem idoso
1) Ansiedade de desempenho que leva ao medo de tomar a iniciativa de ter sexo.
2) Dificuldade de obter ereções espontâneas quando há necessidade. É preciso que as parceiras estimulem diretamente o pênis de seus companheiros.
3) A ereção é mais lenta, aumentando o tempo necessário para se chegar à rigidez adequada. É comum essa demora detonar a ansiedade que dificulta mais ainda a ereção.
4) As ereções já não são tão firmes e nem se sustentam por tanto tempo quanto antes.
5) Há uma menor capacidade e menor necessidade de se chegar ao orgasmo, possibilitando encontros mais prolongados, mais carinhosos, que não se encerram com o orgasmo.
6) Tem rápida detumescência, quase que imediata ao cessar os estímulos sexuais.
7) Aumenta o período refratário entre as relações, principalmente quando há o orgasmo.
8) Outras alterações:
menor emissão de secreção uretral, menor volume do material ejaculado, menor pressão da ejaculação, orgasmo mais curto e às vezes seco (diabetes e pós prostatectomia), menor ocorrência de tumescência peniana noturna, menor concentração de fibras elásticas nos corpos cavernosos e alteração endotelial vascular.
Fonte: Dr. Henrique Chvaicer - Site PenisNormal.com
O movimento das emoções na vida dos idosos
Nos últimos anos observa-se um aumento significativo de estudos abordando o processo de envelhecimento e suas repercussões na saúde do idoso, comprovando a relevância e o movimento crescente de conscientização acerca da necessidade de um maior conhecimento das especificidades do idoso, nos aspectos biológico, social, cultural e econômico para rompermos com os estereótipos e preconceitos que ainda isolam e excluem estes indivíduos na sociedade. Este aumento da expectativa de vida, principalmente nos países desenvolvidos, tem íntima relação com fatores tais como: alimentação, habitação, saneamento básico, educação, mudanças nos padrões reprodutivos, desenvolvimento tecnológico e avanços no controle e tratamento de doenças. Logo, a mudança da pirâmide populacional, nas últimas décadas, está associada à redução da mortalidade de adultos e idosos e a diminuição da taxa de fertilidade (PAPALEO NETTO, 1994) .
A partir dessa transformação no âmbito da saúde, os profissionais começam a investir mais nesta clientela, principalmente no setor de atenção primária. O atendimento geriátrico e gerontológico, pode ser definido como um processo interdisciplinar que atende as pessoas idosas, visando os serviços médicos, psicológicos, social e funcional a fim de manter o idoso com plena capacidade e autonomia pelo maior período possível. Mas, nesse contexto, é preciso considerar que a saúde é algo a ser conquistado e não dado, o que envolve esforço e investimento para mantê-la (PAPALEO NETTO, 1994).
Nesse sentido, TEIXEIRA (1988, P. 91) argumenta que:
“ao mesmo tempo em que o cuidado depende do indivíduo, ele também tem uma dimensão que escapa à boa vontade consciente, pois passa pelo econômico, pelo inconsciente, pelas produções capitalistas de subjetividade com o corpo. O cuidado é também resultante dos equipamentos coletivos que produzem subjetividade, e o sujeito, quando fala do cuidado, fala também do seu salário, de sua família, dos seus sentimentos e dos seus desejos”.
Entretanto, quando a pessoa envelhece existem alguns fatores psicossociais que interferem na qualidade de vida como a perda da posição social comum após a aposentadoria, a pobreza que dificulta as condições mínimas de sobrevivência e, conseqüentemente, limita a participação dos idosos em eventos sociais, a solidão, pois muitas vezes os idosos têm pouco contato com outras pessoas devido à dificuldade de transporte adequado, problemas financeiros, incapacidade física e falta de companhia associada ao medo e a perda de amigos, parentes, cônjuges. Tudo isso pode levar o idoso à depressão e a uma maior dependência, física e/ou psicossocial.
Além dos fatores psicossociais que interferem no processo de envelhecimento, existe ainda a relação do indivíduo com a sociedade. Sendo assim, os idosos, muitas vezes, sentem-se inferiorizados pela sociedade, principalmente após a aposentadoria, quando tendem a ser considerados inúteis e improdutivos, pois, além de conviver com uma série de mudanças orgânicas, sentem-se como um peso para seus familiares e amigos o que acaba gerando seu isolamento do convívio social como forma de preservação.
Assim, a velhice pode ser caracterizada pela maneira como a sociedade determina e encara o envelhecer, sendo mais forte do que a percepção do idoso a respeito do envelhecimento o que nem sempre corresponde ao seu estado de velhice. Por isso, a forma como uma sociedade superprotege, venera ou marginaliza o idoso determinará como ele vai se adaptar e assumir a velhice (WALDOW, 1998). Portanto, envelhecer de forma saudável implica, não apenas na possibilidade dos idosos disporem de cuidados em relação aos problemas de saúde mais comuns nesta etapa da vida, mas, também, no reconhecimento das suas possibilidades e necessidades específicas. Significa que, além de bom estado de saúde física eles necessitam de respeito, segurança e, principalmente, precisam sentir-se ativos em sua comunidade com oportunidade de expressarem livremente seus sentimentos, emoções, interesses, opiniões e experiências.
Algumas pesquisas demonstram que a principal tarefa evolutiva da velhice é a integração social e a
autonomia pessoal; "a segurança propiciada por um ambiente acolhedor, assim como a autonomia permitida por um ambiente estimulador são ambas, necessárias ao bem-estar do idoso" (TEIXEIRA , 2002, p.105). É bem verdade que o idoso convive com limitações da própria idade, as quais podem prejudicar sua independência e autonomia para desenvolver determinadas atividades. Mas, é preciso que ele seja estimulado a, inicialmente, organizar seu tempo fazendo projetos de vida com criatividade, energia e iniciativa isto é, dando significados a vida para que esta não caia no vazio (LIMA , 2000).

Nesse sentido, podemos considerar que às atividades de lazer e a convivência em grupo contribuem tanto para a manutenção do equilíbrio biopsicossocial do idoso, quanto para atenuar possíveis conflitos ambientais e pessoais. Por isso, é importante para o ser humano a atividade física, intelectual e de lazer, pois, em todas as etapas da vida devemos nos preocupar com as perspectivas de um envelhecimento saudável. E nesse sentido, para se qualificar a vida é necessário comparar o passado e o presente, as coisas boas e ruins, a infância, a juventude, a maturidade e a velhice em um contexto social e histórico (LÓPEZ & CIANCIARULLO, 1999).
Assim, a compreensão de qualidade de vida na velhice está atrelada ao significado de velhice dada pelos idosos onde devem ser consideradas as referências às mudanças do corpo e as imagens desse corpo, os contrastes sociais e culturais que caracterizam o curso de vida, se o passado foi marcado pela busca de sobrevivência, pelo trabalho com poucas garantias ou não, e se hoje na velhice, sobrevivem com a ajuda de familiares ou são independentes. O envelhecimento bem-sucedido não é um privilégio ou sorte, mas um objetivo a ser alcançado por quem planeja e trabalha para isso, sabendo lidar com as mudanças que efetivamente acompanham o envelhecer.
Além da maneira como o idoso lida com as mudanças ocorridas nessa fase da vida, a qualidade de vida envolve também seus hábitos de vida e isso inclui as atividades de lazer. Além disso, falar de qualidade de vida é considerar também as emoções e suas repercussões para a saúde.
Há alguns anos, afirmar que existia uma vinculação direta entre o estado emocional e a boa saúde era quase um contra-senso para a ciência, mas isso se devia em parte ao conceito que se dava à saúde e que em determinadas sociedades ainda é cultuado, a visão biologizada, que se entende como sendo ausência de doença quando o organismo encontra-se em bom estado geral, sem alterações patológicas. A saúde foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948, como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência da afecção ou doença.
Nesse bem estar destacamos a emoção que refere-se ao sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos. As emoções são essencialmente impulsos para agir e lidar com as situações da vida e sofrem influência das experiências vivenciadas e da cultura (GOLEMAN, 2001). Existem centenas de emoções, juntamente com suas combinações, variações, mutações e matizes tais como: ira, tristeza, medo, prazer, amor, surpresa, nojo e vergonha. O momento da emoção é o momento em que tocamos a nossa força vital, reencontramos a nossa origem, os ancestrais, a nossa história coletiva e pessoal (GAUTHIER, 1999).
A evolução da medicina sobre a existência de substâncias químicas atuando no metabolismo cerebral capazes de alterar o estado emocional e, conseqüentemente, a saúde resultou nos conhecimentos atuais sobre os neurotransmissores e neuroreceptores relacionados à atividade cerebral dos quais, destaca-se a serotonina e sua relação com a sensação de bem-estar das pessoas (BALLONE, 2002). Nesse sentido, algumas pesquisas que procuraram embasar a teoria de que a depressão seria conseqüente a baixos níveis da serotonina e quando se fala em idoso, a depressão é algo que vem sendo estudada e discutida nos últimos anos.
A depressão no idoso apresenta-se de forma mais habitual com os quadros pouco sintomáticos e de evolução lenta, que se associam com alterações hormonais, consumo de medicamentos por iniciativa própria, como anti-hipertensivos, ansiolíticos e hipnóticos, e com situações de solidão e perda, como a morte do parceiro, a falta de apoio social ou familiar, uma mudança ou uma internação em uma instituição (RUIPÉREZ & LLORENT, 1996).
A depressão possui fator de hereditariedade e hormonal, mas pode ter causas psicossociais também. diz que a perda da auto-estima no processo de envelhecimento está associada ao quadro depressivo do idoso decorrente do forte sentimento de dependência e perda crescente da autonomia (RUIPÉREZ & LLORENT, 1996; OLIVEIRA, 2003) .Nesse contexto, ao perceber que não pode mais agir como antes sobre o mundo, a pessoa idosa ao que parece, não vê outra escolha senão retirar-se do mundo, mergulhando pouco a pouco em um profundo estado de depressão (RUSCHEL, 2001).
Porém, elementos tais como amor, humor, surpresa, curiosidade, paixão, perdão, alegria, esperança, entusiasmo, dar e partilhar atuam no sistema imunológico ajudando nosso corpo a combater infecções e estimulando células naturais que combatem o câncer e afetam a forma com que cuidamos de nós mesmos e dos outros. Por outro lado, quando raiva, ressentimento, ambivalência, culpa, tédio, solidão e medo são reprimidos durante muito tempo, podem suprimir nosso sistema natural de proteção e nos fazer sentir mal. (ADAMS, 1998). Isso quer dizer que as emoções desencadeiam reações físicas e atualmente, a medicina em geral, e particularmente a psiquiatria, enfatizam a importância do bom humor, dos bons sentimentos e da afetividade sadia na qualidade de vida e na saúde global da pessoa, pois os efeitos do bom humor sobre a saúde física são tão evidentes que uma boa e sincera risada pode ter a importância de uma sessão de ginástica (BALLONE, 2002).
Fonte: PENA, Fabíola Braz; SANTO, Fátima Helena do Espirito. O MOVIMENTO DAS EMOÇÕES NA VIDA DOS IDOSOS: UM ESTUDO COM UM GRUPO DA TERCEIRA IDADE. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 08, n. 01, p. 17 – 24, 2006. Disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen
A partir dessa transformação no âmbito da saúde, os profissionais começam a investir mais nesta clientela, principalmente no setor de atenção primária. O atendimento geriátrico e gerontológico, pode ser definido como um processo interdisciplinar que atende as pessoas idosas, visando os serviços médicos, psicológicos, social e funcional a fim de manter o idoso com plena capacidade e autonomia pelo maior período possível. Mas, nesse contexto, é preciso considerar que a saúde é algo a ser conquistado e não dado, o que envolve esforço e investimento para mantê-la (PAPALEO NETTO, 1994).
Nesse sentido, TEIXEIRA (1988, P. 91) argumenta que:
“ao mesmo tempo em que o cuidado depende do indivíduo, ele também tem uma dimensão que escapa à boa vontade consciente, pois passa pelo econômico, pelo inconsciente, pelas produções capitalistas de subjetividade com o corpo. O cuidado é também resultante dos equipamentos coletivos que produzem subjetividade, e o sujeito, quando fala do cuidado, fala também do seu salário, de sua família, dos seus sentimentos e dos seus desejos”.
Entretanto, quando a pessoa envelhece existem alguns fatores psicossociais que interferem na qualidade de vida como a perda da posição social comum após a aposentadoria, a pobreza que dificulta as condições mínimas de sobrevivência e, conseqüentemente, limita a participação dos idosos em eventos sociais, a solidão, pois muitas vezes os idosos têm pouco contato com outras pessoas devido à dificuldade de transporte adequado, problemas financeiros, incapacidade física e falta de companhia associada ao medo e a perda de amigos, parentes, cônjuges. Tudo isso pode levar o idoso à depressão e a uma maior dependência, física e/ou psicossocial.
Além dos fatores psicossociais que interferem no processo de envelhecimento, existe ainda a relação do indivíduo com a sociedade. Sendo assim, os idosos, muitas vezes, sentem-se inferiorizados pela sociedade, principalmente após a aposentadoria, quando tendem a ser considerados inúteis e improdutivos, pois, além de conviver com uma série de mudanças orgânicas, sentem-se como um peso para seus familiares e amigos o que acaba gerando seu isolamento do convívio social como forma de preservação.
Assim, a velhice pode ser caracterizada pela maneira como a sociedade determina e encara o envelhecer, sendo mais forte do que a percepção do idoso a respeito do envelhecimento o que nem sempre corresponde ao seu estado de velhice. Por isso, a forma como uma sociedade superprotege, venera ou marginaliza o idoso determinará como ele vai se adaptar e assumir a velhice (WALDOW, 1998). Portanto, envelhecer de forma saudável implica, não apenas na possibilidade dos idosos disporem de cuidados em relação aos problemas de saúde mais comuns nesta etapa da vida, mas, também, no reconhecimento das suas possibilidades e necessidades específicas. Significa que, além de bom estado de saúde física eles necessitam de respeito, segurança e, principalmente, precisam sentir-se ativos em sua comunidade com oportunidade de expressarem livremente seus sentimentos, emoções, interesses, opiniões e experiências.
Algumas pesquisas demonstram que a principal tarefa evolutiva da velhice é a integração social e a
autonomia pessoal; "a segurança propiciada por um ambiente acolhedor, assim como a autonomia permitida por um ambiente estimulador são ambas, necessárias ao bem-estar do idoso" (TEIXEIRA , 2002, p.105). É bem verdade que o idoso convive com limitações da própria idade, as quais podem prejudicar sua independência e autonomia para desenvolver determinadas atividades. Mas, é preciso que ele seja estimulado a, inicialmente, organizar seu tempo fazendo projetos de vida com criatividade, energia e iniciativa isto é, dando significados a vida para que esta não caia no vazio (LIMA , 2000).

Nesse sentido, podemos considerar que às atividades de lazer e a convivência em grupo contribuem tanto para a manutenção do equilíbrio biopsicossocial do idoso, quanto para atenuar possíveis conflitos ambientais e pessoais. Por isso, é importante para o ser humano a atividade física, intelectual e de lazer, pois, em todas as etapas da vida devemos nos preocupar com as perspectivas de um envelhecimento saudável. E nesse sentido, para se qualificar a vida é necessário comparar o passado e o presente, as coisas boas e ruins, a infância, a juventude, a maturidade e a velhice em um contexto social e histórico (LÓPEZ & CIANCIARULLO, 1999).
Assim, a compreensão de qualidade de vida na velhice está atrelada ao significado de velhice dada pelos idosos onde devem ser consideradas as referências às mudanças do corpo e as imagens desse corpo, os contrastes sociais e culturais que caracterizam o curso de vida, se o passado foi marcado pela busca de sobrevivência, pelo trabalho com poucas garantias ou não, e se hoje na velhice, sobrevivem com a ajuda de familiares ou são independentes. O envelhecimento bem-sucedido não é um privilégio ou sorte, mas um objetivo a ser alcançado por quem planeja e trabalha para isso, sabendo lidar com as mudanças que efetivamente acompanham o envelhecer.
Além da maneira como o idoso lida com as mudanças ocorridas nessa fase da vida, a qualidade de vida envolve também seus hábitos de vida e isso inclui as atividades de lazer. Além disso, falar de qualidade de vida é considerar também as emoções e suas repercussões para a saúde.
Há alguns anos, afirmar que existia uma vinculação direta entre o estado emocional e a boa saúde era quase um contra-senso para a ciência, mas isso se devia em parte ao conceito que se dava à saúde e que em determinadas sociedades ainda é cultuado, a visão biologizada, que se entende como sendo ausência de doença quando o organismo encontra-se em bom estado geral, sem alterações patológicas. A saúde foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948, como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência da afecção ou doença.
Nesse bem estar destacamos a emoção que refere-se ao sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos. As emoções são essencialmente impulsos para agir e lidar com as situações da vida e sofrem influência das experiências vivenciadas e da cultura (GOLEMAN, 2001). Existem centenas de emoções, juntamente com suas combinações, variações, mutações e matizes tais como: ira, tristeza, medo, prazer, amor, surpresa, nojo e vergonha. O momento da emoção é o momento em que tocamos a nossa força vital, reencontramos a nossa origem, os ancestrais, a nossa história coletiva e pessoal (GAUTHIER, 1999).
A evolução da medicina sobre a existência de substâncias químicas atuando no metabolismo cerebral capazes de alterar o estado emocional e, conseqüentemente, a saúde resultou nos conhecimentos atuais sobre os neurotransmissores e neuroreceptores relacionados à atividade cerebral dos quais, destaca-se a serotonina e sua relação com a sensação de bem-estar das pessoas (BALLONE, 2002). Nesse sentido, algumas pesquisas que procuraram embasar a teoria de que a depressão seria conseqüente a baixos níveis da serotonina e quando se fala em idoso, a depressão é algo que vem sendo estudada e discutida nos últimos anos.
A depressão no idoso apresenta-se de forma mais habitual com os quadros pouco sintomáticos e de evolução lenta, que se associam com alterações hormonais, consumo de medicamentos por iniciativa própria, como anti-hipertensivos, ansiolíticos e hipnóticos, e com situações de solidão e perda, como a morte do parceiro, a falta de apoio social ou familiar, uma mudança ou uma internação em uma instituição (RUIPÉREZ & LLORENT, 1996).A depressão possui fator de hereditariedade e hormonal, mas pode ter causas psicossociais também. diz que a perda da auto-estima no processo de envelhecimento está associada ao quadro depressivo do idoso decorrente do forte sentimento de dependência e perda crescente da autonomia (RUIPÉREZ & LLORENT, 1996; OLIVEIRA, 2003) .Nesse contexto, ao perceber que não pode mais agir como antes sobre o mundo, a pessoa idosa ao que parece, não vê outra escolha senão retirar-se do mundo, mergulhando pouco a pouco em um profundo estado de depressão (RUSCHEL, 2001).
Porém, elementos tais como amor, humor, surpresa, curiosidade, paixão, perdão, alegria, esperança, entusiasmo, dar e partilhar atuam no sistema imunológico ajudando nosso corpo a combater infecções e estimulando células naturais que combatem o câncer e afetam a forma com que cuidamos de nós mesmos e dos outros. Por outro lado, quando raiva, ressentimento, ambivalência, culpa, tédio, solidão e medo são reprimidos durante muito tempo, podem suprimir nosso sistema natural de proteção e nos fazer sentir mal. (ADAMS, 1998). Isso quer dizer que as emoções desencadeiam reações físicas e atualmente, a medicina em geral, e particularmente a psiquiatria, enfatizam a importância do bom humor, dos bons sentimentos e da afetividade sadia na qualidade de vida e na saúde global da pessoa, pois os efeitos do bom humor sobre a saúde física são tão evidentes que uma boa e sincera risada pode ter a importância de uma sessão de ginástica (BALLONE, 2002).
Fonte: PENA, Fabíola Braz; SANTO, Fátima Helena do Espirito. O MOVIMENTO DAS EMOÇÕES NA VIDA DOS IDOSOS: UM ESTUDO COM UM GRUPO DA TERCEIRA IDADE. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 08, n. 01, p. 17 – 24, 2006. Disponível em http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Dicas de roteiros para a terceira idade
Não é por acaso que a terceira idade é conhecida como a melhor idade. Atualmente, diversos ramos empresariais vêm dando vantagens para quem já passou por uma vida inteira de trabalho e merece o tão sonhado descanso. As empresas vêm enxergando o grande potencial no segmento da terceira idade e a cada dia que passa oferecem mais benefícios. No setor do turismo não poderia ser diferente, o ministério do Turismo lançou um programa chamado “Viaje Mais” que visa estimular brasileiros acima de 60 anos a viajarem pelo Brasil em período de baixa temporada. Pacotes e descontos especiais em hospedagem fazem parte do projeto. Devido a essa iniciativa, as Agências de Turismo têm criado mais destinos direcionados ao público da terceira idade. Nós montamos aqui um Top 5 dos lugares mais procurados por turistas aposentados e dicas de viagem para a 3ª idade especiais da FalaTurista.
Dicas de roteiros para a terceira idade
1º – Águas de Lindóia/SP
Situada a apenas 180 km da capital paulista, a cidade atrai muitos turistas da terceira idade devido a sua tranqüilidade típica do interior e seus balneários de águas termais. Além disso, a paisagem serrana e o ar puro trazem a serenidade que muitos turistas procuram.
2º – Fortaleza/CE
As águas quentes do mar de Fortaleza e as inúmeras opções de diversão que a cidade oferece atraem muitos turistas da terceira idade, além do artesanato, que também marca presença na capital cearense com muitos bordados, tecelagens, crochê, palhas trançadas, entre outros. Os hotéis de Fortaleza apresentam um charme muito próprio. Não esqueça de reservá-lo com antecedência.
3º – Holambra/SP
Conhecida como a “Cidade das Flores”, Holambra é uma antiga colônia de holandeses, que proporciona aos turistas o contato com a natureza local. Além do atrativo principal, as flores, Holambra oferece passeios em parques, bairros com arquitetura européia e restaurantes de culinária holandesa.
4º – Natal/RN
Também muito procurada por turistas da terceira idade, a cidade oferece a quem a visita passeios por suas dunas paradisíacas de bugue ou até mesmo dromedário. Considerada uma das costas mais bonitas do nordeste, a visita vale a pena pelas belíssimas praias e grande infra-estrutura. Faça a reserva de hotel em Natal com antecedência para garantir os melhores quartos e preços.
5º – Serra Negra/SP
Quem gosta de viajar para fazer boas compras, deve incluir Serra Negra em seu roteiro. Famosa pela produção de malhas, a cidade do interior de São Paulo abriga feiras de artesanato e inúmeras lojas de roupas.
Essas dicas podem fazer da viagem de qualquer pessoa uma experiência fantástica, principalmente para nossos queridos amigos da terceira idade, que muito já fizeram por suas famílias e pelo nosso país e que agora, merecem toda a curtição e experiências novas, aproveitando ainda mais a melhor idade.
Dicas Finais
- Não esqueça de fazer a reserva de seu hotel com antecedência;
- O mesmo vale para as passagens, sejam elas áreas ou rodoviárias;
- Ao escolher a cidade, elabore um roteiro turístico para você aproveitar ao máximo o passeio;
- As vezes, escolher uma agência especializada em roteiros turisticos para a 3ª idade pode ser o ideal;
- Avalie a possibilidade de fazer a viagem na baixa temporada, pois assim, você conseguirá ótimos preços!
Fonte: Fala Turista
O Idoso e a morte
A velhice está acompanhada pela certeza da morte. Alguns tentam minimizar esta verdade, dizendo que velhice é apenas mais uma fase da vida, como adolescência. Mas não é verdade. Esta é a única fase da vida que vem acompanhada desta certeza: a morte. Embora a morte não seja exclusividade dos idosos, para as pessoas em outras fases de vida ela não é certa, é acidental, é “anormal”. Para o velho não. Ele vê a morte se aproximando, e convive com ela à medida que perde amigos e entes queridos.
Levando isso em consideração, o idoso de certa forma deve ser tratado como um paciente terminal. Deve ser preparado para o morrer, encarando este fim com serenidade. Para que isto ocorra, é necessário que este idoso encontre um sentido na morte, que só pode ser obtido encontrando-se um sentido na vida.
Este estudo visa, então, traçar paralelos entre as idéias de Viktor Frankl, que buscou compreender o sentido da vida, Elisabeth Kubler Ross, que estudou o fenômeno da morte e John Donne, que relata sua experiência quando esteve muito perto da morte. Buscaremos entender a morte na perspectiva do idoso e avaliar o potencial que os legados destes estudiosos têm para melhorar a visão que o idoso tem da morte.
VIKTOR FRANKL
Viktor E. Frankl era um médico, professor de Psiquiatria e Neurologia e foi fundador da Logoterapia, a chamada “terceira escola vienense de psicoterapia”, que baseia-se na busca da pessoa pelo sentido da vida. Lecionou em várias universidades, publicou 32 livros, e participou de inúmeras conferências. No livro “Em busca de sentido”, este autor descreve como sentiu e observou a si mesmo e as demais pessoas e seu comportamento limite no campo de extermínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ele chegou à conclusão de que se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas. Frankl acreditava que uma pessoa não é o resultado de múltiplos determinantes e condicionamentos, que sempre existe um resquício de atitude livre do eu em frente ao meio ambiente, e que a liberdade espiritual do ser humano permite-lhe, até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido. Citando Nietzsche, Frankl reforça: “Quem tem por que viver agüenta quase todo como”.
Para Frankl, nenhum indivíduo pode ser substituído ou representado por outro, e esse fato ilumina a responsabilidade do ser humano por sua vida e pela continuidade da vida. Além disso, a transitoriedade da nossa existência não lhe tira o sentido. Tudo depende de nos conscientizarmos das possibilidades essencialmente transitórias. Para o autor, todo ser humano tem a liberdade de mudar a qualquer instante...pode mudar o mundo para melhor, se possível, e mudar a si mesmo para melhor, se necessário. Aquilo que cada indivíduo se torna é ele que faz de si mesmo, ou seja, depende de decisões e não de condições.
ELISABETH KUBLER-ROSS
Elisabeth Kubler-Ross, nascida da Suíça em 1926, foi a médica psiquiatra que mudou a maneira como o mundo pensava sobre a morte. Foi pioneira nos estudos sobre a Morte e o Morrer, trabalhando com pacientes terminais, mas, principalmente, “ouvindo” os sentimentos e percepções das pessoas com diagnósticos reservados. Em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, descreve as entrevistas que realizou com pacientes terminais, que foram subsídios para que ela desenvolvesse a idéia dos “estágios” que se sucedem após a notícia de uma doença fatal.
Kubler-Ross escreve que “quanto mais avançamos na ciência, mais parece que tememos e negamos a realidade da morte”. Ela critica a ciência despersonalizada, que prolonga a vida, mas não diminui o sofrimento, e conclui que a morte se torna um ato solitário e impessoal nas salas de emergência, quando deveria ocorrer no ambiente familiar, com a participação de todos.
Além disto, a médica alerta para a necessidade de se criar o hábito de pensar na morte antes que se tenha a confrontação com ela. Deveríamos considerar a morte como uma possibilidade real, não só para os outros, como para nós mesmos.
JOHN DONNE
John Donne foi um teólogo e filósofo, pregador da catedral de Saint Paul, em Londres, que morreu em 1631. É considerado um poeta metafísico, porque usava analogias e metáforas atípicas sobre experiências comuns em seus poemas. Foi um autor que demonstrou grande interesse pela tema da Morte. Isso fica claro na quantidade de sua obra voltada para este tema. Trinta e dois dos seus cinqüenta e quatro sonetos e canções são sobre a morte, e todas as suas vinte e três Meditações são reflexões sobre sua experiência com a doença que gravemente ameaçou a sua vida no ano de 1623. Donne acreditava que estava com a Peste, durante a grande Peste Negra, que matou 70.000 pessoas na Inglaterra do século XVI. Foi durante ainda o curso da doença que ele escreveu as meditações, que descrevem a confusão, fraqueza e solidão causadas pela enfermidade, e o terror precipitado pela possibilidade real da Morte.
Além da experiência pessoal, Donne conviveu ainda com a morte de muitas pessoas próximas. Seu irmão, Henry, morreu devido à Peste em 1593, ele perdeu cinco dos doze filhos ao nascimento, além da mulher, que morreu durante um parto.
A obra de Donne é profunda na análise deste tema. A doença e a morte são temas pessoais para ele, e seus sentimentos com relação a elas são palpáveis em seus poemas. O poeta entende que sua morte é inevitável, e se debate com argumentos contraditórios, demonstrando a complexidade deste assunto.
Para Donne, na experiência da Morte aprendemos sobre Humanidade. Estamos compartilhando o destino de todos, e nesta conexão com os outros, podemos ver a graça de Deus traduzindo nossas vidas num propósito eterno. O autor demonstra, assim, que é a sua fé, sua religiosidade, que dão sentido para a morte. Na sua Meditação XVII ele discorre sobre como o fim da vida não é o fim do valor da nossa humanidade, e que na mortalidade compartilhada, devemos experimentar a compaixão com o próximo.
PARALELO ENTRE OS AUTORES
A morte expõe os limites da condição humana, e não costuma ser algo visto como espontâneo ou natural. Freud, citado por Concentino, fala sobre “o penoso enigma da morte, contra o qual remédio algum foi encontrado e provavelmente nunca será”. Mas, apesar de inevitável, muitos homens vivem como se nunca fossem morrer. A velhice é, portanto, o momento apropriado para se encarar esta “vilã”. Mucida, citado por Cocentino, diz que “o prelúdio da morte anunciada poderá igualar-se à velhice”. Fortes-Burgo (2009) demonstrou que situações relacionadas a perdas, especialmente aquelas que remetam à finitude, estão fortemente presentes na vida dos idosos. Os idosos avaliam os eventos ligados à finitude como grau elevado de sobrecarga.
Isto é, portanto, um fato: O idoso lida inevitavelmente com a morte. Mas em que os três autores descritos neste artigo podem ajudar na visão que os idosos têm da morte? Todos eles concordam em uma coisa: a maneira como uma pessoa encara a Morte depende muito da maneira como ela encarou sua Vida. John Donne, em seus famosos discursos funerários, dizia que o nosso dia crítico não é o dia da nossa morte, mas todo o curso da nossa vida. Ele traduzia deliberadamente uma Vida Santa em uma Morte Santa.
Elisabeth Kubler-Ross, em sua análise dos pacientes terminais, observou a necessidade que esses pacientes tinham de se sentir úteis, de deixar algo atrás de si, criando, assim, uma ilusão de imortalidade. Ela concluiu que era mais fácil a aceitação com tranqüilidade da morte para aquelas pessoas que sentiam haver realizado algo em suas vidas.
Estas duas visões estão em perfeita sintonia com a teoria de Viktor Frankl, que descreve a necessidade inerente ao ser humano de um sentido para a vida, que pode ser um relacionamento importante ou um legado de trabalho, por exemplo. Para este autor, “a liberdade espiritual do ser humano permite-lhe, até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido”. Sobre a velhice, especificamente, Frankl enfatiza que em vez de possibilidades, a pessoa tem realidades no passado, que podem ser um amor vivido ou um trabalho realizado, ou até mesmo um sofrimento enfrentado com dignidade e coragem. Ele afirma:
“Cada um dos instantes de que a vida é feita está morrendo, e aquele instante nunca mais voltará. Mas porventura não é essa transitoriedade algo que nos estimula e desafia a fazer o melhor uso possível de cada momento de nossas vidas?”
A velhice tem que ser mais que apenas uma espera da morte. Ela pode ser vivida com sentido, e a morte pode ser encarada com tranqüilidade quando se acredita estar deixando algo para trás. Nesse aspecto de se viver uma boa velhice, alguns estudos trazem importantes subsídios.
Willians, em artigo sobre a importância do lazer, defende que o lazer seria uma das ferramentas para se encontrar o sentido da vida. Baseando-se nas teorias de Frankl, ele sustenta que só no lazer genuíno abre-se o portão para a liberdade, e o indivíduo se “encontra”.
Outros estudos têm comprovado a importância de relacionamentos significativos. A família traz sentido para a vida dos idosos, e pode ajuda-los a encarar a morte com mais serenidade. Trentini (2005) pesquisou as mais significantes situações adversas na visão dos idosos, e concluiu que são a morte e a separação dos familiares. Gomes (2013) estudou a relação entre a mortalidade e estado marital em idosos, e concluiu que a taxa de mortalidade dos solteiros é 61% mais alta que a dos casados, e que a separação/divórcio e a viuvez elevam a chance de morte das mulheres. Estes estudos corroboram a teoria da importância dos relacionamentos.
Mas além de lazer e relacionamentos, podemos adicionar, baseados nos três autores, a importância do “legado”. A morte é bem-vinda quando a pessoa acredita ter concluído de maneira satisfatória a vida. Toledo (2013) discorre sobre o suicídio de Walmor Chagas, concluindo que ele viveu uma vida completa, e “decidiu” que já era chegada a hora da morte.
“Walmor Chagas não quis ser surpreendido pela morte. Aos 82 anos, cometeu suicídio, em sua própria casa. Estava sentado, o que proclama que encarou a morte em seus próprios termos, no lugar e na posição que bem entendeu. Decidiu que, em vez de esperar a morte atacar, tomaria a iniciativa. Teria se antecipado ao aprofundamento dos estragos causados pelo envelhecimento e morbidades. Mas, sobretudo, teria concluído que o estoque de vida que lhe coubera, a vida em seus múltiplos aspectos, se esgotara. A peça já tinha acabado. E ele próprio determinou isso, ao tomar nas mãos a autoria do desfecho.”
Na Velhice a presença da morte é algo que está perto, e pode ser causadora de grande stress. Porém, analisando os argumentos defendidos neste artigo, percebemos que não precisa ser assim. De acordo com Donne, Kubler-Ross e Frankl, nos vemos diante da possibilidade de uma velhice vivida com sentido, que leva a uma morte serena e com significado. Analisando profundamente a morte, Donne chega à conclusão de que ela não é poderosa, terrível e apavorante, mas gentil e confortável. Kubler-Ross observa que nós mesmos tecemos a trama da nossa história humana e podemos criar e viver uma biografia única. E Viktor Frankl conclui que a vida permanece potencialmente significativa sob quaisquer circunstâncias, e cada um de nós deve fazer o melhor que puder para melhorar o mundo.
Concluímos, então, que depende de cada idoso encarar sua Velhice de maneira positiva, tentando dar sentido e significado à vida, e assim se preparando para uma morte tranqüila e serena.
Fonte:http://gerontotecnologias.blogspot.com.br/2013/06/o-idoso-e-morte-aila-davis-fanstonepina.html
Levando isso em consideração, o idoso de certa forma deve ser tratado como um paciente terminal. Deve ser preparado para o morrer, encarando este fim com serenidade. Para que isto ocorra, é necessário que este idoso encontre um sentido na morte, que só pode ser obtido encontrando-se um sentido na vida.
Este estudo visa, então, traçar paralelos entre as idéias de Viktor Frankl, que buscou compreender o sentido da vida, Elisabeth Kubler Ross, que estudou o fenômeno da morte e John Donne, que relata sua experiência quando esteve muito perto da morte. Buscaremos entender a morte na perspectiva do idoso e avaliar o potencial que os legados destes estudiosos têm para melhorar a visão que o idoso tem da morte.
VIKTOR FRANKL
Viktor E. Frankl era um médico, professor de Psiquiatria e Neurologia e foi fundador da Logoterapia, a chamada “terceira escola vienense de psicoterapia”, que baseia-se na busca da pessoa pelo sentido da vida. Lecionou em várias universidades, publicou 32 livros, e participou de inúmeras conferências. No livro “Em busca de sentido”, este autor descreve como sentiu e observou a si mesmo e as demais pessoas e seu comportamento limite no campo de extermínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ele chegou à conclusão de que se pode privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas. Frankl acreditava que uma pessoa não é o resultado de múltiplos determinantes e condicionamentos, que sempre existe um resquício de atitude livre do eu em frente ao meio ambiente, e que a liberdade espiritual do ser humano permite-lhe, até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido. Citando Nietzsche, Frankl reforça: “Quem tem por que viver agüenta quase todo como”.
Para Frankl, nenhum indivíduo pode ser substituído ou representado por outro, e esse fato ilumina a responsabilidade do ser humano por sua vida e pela continuidade da vida. Além disso, a transitoriedade da nossa existência não lhe tira o sentido. Tudo depende de nos conscientizarmos das possibilidades essencialmente transitórias. Para o autor, todo ser humano tem a liberdade de mudar a qualquer instante...pode mudar o mundo para melhor, se possível, e mudar a si mesmo para melhor, se necessário. Aquilo que cada indivíduo se torna é ele que faz de si mesmo, ou seja, depende de decisões e não de condições.
ELISABETH KUBLER-ROSSElisabeth Kubler-Ross, nascida da Suíça em 1926, foi a médica psiquiatra que mudou a maneira como o mundo pensava sobre a morte. Foi pioneira nos estudos sobre a Morte e o Morrer, trabalhando com pacientes terminais, mas, principalmente, “ouvindo” os sentimentos e percepções das pessoas com diagnósticos reservados. Em seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, descreve as entrevistas que realizou com pacientes terminais, que foram subsídios para que ela desenvolvesse a idéia dos “estágios” que se sucedem após a notícia de uma doença fatal.
Kubler-Ross escreve que “quanto mais avançamos na ciência, mais parece que tememos e negamos a realidade da morte”. Ela critica a ciência despersonalizada, que prolonga a vida, mas não diminui o sofrimento, e conclui que a morte se torna um ato solitário e impessoal nas salas de emergência, quando deveria ocorrer no ambiente familiar, com a participação de todos.
Além disto, a médica alerta para a necessidade de se criar o hábito de pensar na morte antes que se tenha a confrontação com ela. Deveríamos considerar a morte como uma possibilidade real, não só para os outros, como para nós mesmos.
JOHN DONNE
John Donne foi um teólogo e filósofo, pregador da catedral de Saint Paul, em Londres, que morreu em 1631. É considerado um poeta metafísico, porque usava analogias e metáforas atípicas sobre experiências comuns em seus poemas. Foi um autor que demonstrou grande interesse pela tema da Morte. Isso fica claro na quantidade de sua obra voltada para este tema. Trinta e dois dos seus cinqüenta e quatro sonetos e canções são sobre a morte, e todas as suas vinte e três Meditações são reflexões sobre sua experiência com a doença que gravemente ameaçou a sua vida no ano de 1623. Donne acreditava que estava com a Peste, durante a grande Peste Negra, que matou 70.000 pessoas na Inglaterra do século XVI. Foi durante ainda o curso da doença que ele escreveu as meditações, que descrevem a confusão, fraqueza e solidão causadas pela enfermidade, e o terror precipitado pela possibilidade real da Morte.
Além da experiência pessoal, Donne conviveu ainda com a morte de muitas pessoas próximas. Seu irmão, Henry, morreu devido à Peste em 1593, ele perdeu cinco dos doze filhos ao nascimento, além da mulher, que morreu durante um parto.
A obra de Donne é profunda na análise deste tema. A doença e a morte são temas pessoais para ele, e seus sentimentos com relação a elas são palpáveis em seus poemas. O poeta entende que sua morte é inevitável, e se debate com argumentos contraditórios, demonstrando a complexidade deste assunto.
Para Donne, na experiência da Morte aprendemos sobre Humanidade. Estamos compartilhando o destino de todos, e nesta conexão com os outros, podemos ver a graça de Deus traduzindo nossas vidas num propósito eterno. O autor demonstra, assim, que é a sua fé, sua religiosidade, que dão sentido para a morte. Na sua Meditação XVII ele discorre sobre como o fim da vida não é o fim do valor da nossa humanidade, e que na mortalidade compartilhada, devemos experimentar a compaixão com o próximo.
PARALELO ENTRE OS AUTORES
A morte expõe os limites da condição humana, e não costuma ser algo visto como espontâneo ou natural. Freud, citado por Concentino, fala sobre “o penoso enigma da morte, contra o qual remédio algum foi encontrado e provavelmente nunca será”. Mas, apesar de inevitável, muitos homens vivem como se nunca fossem morrer. A velhice é, portanto, o momento apropriado para se encarar esta “vilã”. Mucida, citado por Cocentino, diz que “o prelúdio da morte anunciada poderá igualar-se à velhice”. Fortes-Burgo (2009) demonstrou que situações relacionadas a perdas, especialmente aquelas que remetam à finitude, estão fortemente presentes na vida dos idosos. Os idosos avaliam os eventos ligados à finitude como grau elevado de sobrecarga.
Isto é, portanto, um fato: O idoso lida inevitavelmente com a morte. Mas em que os três autores descritos neste artigo podem ajudar na visão que os idosos têm da morte? Todos eles concordam em uma coisa: a maneira como uma pessoa encara a Morte depende muito da maneira como ela encarou sua Vida. John Donne, em seus famosos discursos funerários, dizia que o nosso dia crítico não é o dia da nossa morte, mas todo o curso da nossa vida. Ele traduzia deliberadamente uma Vida Santa em uma Morte Santa.
Elisabeth Kubler-Ross, em sua análise dos pacientes terminais, observou a necessidade que esses pacientes tinham de se sentir úteis, de deixar algo atrás de si, criando, assim, uma ilusão de imortalidade. Ela concluiu que era mais fácil a aceitação com tranqüilidade da morte para aquelas pessoas que sentiam haver realizado algo em suas vidas.
Estas duas visões estão em perfeita sintonia com a teoria de Viktor Frankl, que descreve a necessidade inerente ao ser humano de um sentido para a vida, que pode ser um relacionamento importante ou um legado de trabalho, por exemplo. Para este autor, “a liberdade espiritual do ser humano permite-lhe, até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido”. Sobre a velhice, especificamente, Frankl enfatiza que em vez de possibilidades, a pessoa tem realidades no passado, que podem ser um amor vivido ou um trabalho realizado, ou até mesmo um sofrimento enfrentado com dignidade e coragem. Ele afirma:
“Cada um dos instantes de que a vida é feita está morrendo, e aquele instante nunca mais voltará. Mas porventura não é essa transitoriedade algo que nos estimula e desafia a fazer o melhor uso possível de cada momento de nossas vidas?”
A velhice tem que ser mais que apenas uma espera da morte. Ela pode ser vivida com sentido, e a morte pode ser encarada com tranqüilidade quando se acredita estar deixando algo para trás. Nesse aspecto de se viver uma boa velhice, alguns estudos trazem importantes subsídios.
Willians, em artigo sobre a importância do lazer, defende que o lazer seria uma das ferramentas para se encontrar o sentido da vida. Baseando-se nas teorias de Frankl, ele sustenta que só no lazer genuíno abre-se o portão para a liberdade, e o indivíduo se “encontra”.
Outros estudos têm comprovado a importância de relacionamentos significativos. A família traz sentido para a vida dos idosos, e pode ajuda-los a encarar a morte com mais serenidade. Trentini (2005) pesquisou as mais significantes situações adversas na visão dos idosos, e concluiu que são a morte e a separação dos familiares. Gomes (2013) estudou a relação entre a mortalidade e estado marital em idosos, e concluiu que a taxa de mortalidade dos solteiros é 61% mais alta que a dos casados, e que a separação/divórcio e a viuvez elevam a chance de morte das mulheres. Estes estudos corroboram a teoria da importância dos relacionamentos.
Mas além de lazer e relacionamentos, podemos adicionar, baseados nos três autores, a importância do “legado”. A morte é bem-vinda quando a pessoa acredita ter concluído de maneira satisfatória a vida. Toledo (2013) discorre sobre o suicídio de Walmor Chagas, concluindo que ele viveu uma vida completa, e “decidiu” que já era chegada a hora da morte.
“Walmor Chagas não quis ser surpreendido pela morte. Aos 82 anos, cometeu suicídio, em sua própria casa. Estava sentado, o que proclama que encarou a morte em seus próprios termos, no lugar e na posição que bem entendeu. Decidiu que, em vez de esperar a morte atacar, tomaria a iniciativa. Teria se antecipado ao aprofundamento dos estragos causados pelo envelhecimento e morbidades. Mas, sobretudo, teria concluído que o estoque de vida que lhe coubera, a vida em seus múltiplos aspectos, se esgotara. A peça já tinha acabado. E ele próprio determinou isso, ao tomar nas mãos a autoria do desfecho.”
Na Velhice a presença da morte é algo que está perto, e pode ser causadora de grande stress. Porém, analisando os argumentos defendidos neste artigo, percebemos que não precisa ser assim. De acordo com Donne, Kubler-Ross e Frankl, nos vemos diante da possibilidade de uma velhice vivida com sentido, que leva a uma morte serena e com significado. Analisando profundamente a morte, Donne chega à conclusão de que ela não é poderosa, terrível e apavorante, mas gentil e confortável. Kubler-Ross observa que nós mesmos tecemos a trama da nossa história humana e podemos criar e viver uma biografia única. E Viktor Frankl conclui que a vida permanece potencialmente significativa sob quaisquer circunstâncias, e cada um de nós deve fazer o melhor que puder para melhorar o mundo.
Concluímos, então, que depende de cada idoso encarar sua Velhice de maneira positiva, tentando dar sentido e significado à vida, e assim se preparando para uma morte tranqüila e serena.
Fonte:http://gerontotecnologias.blogspot.com.br/2013/06/o-idoso-e-morte-aila-davis-fanstonepina.html
Desafio às várias formas de violência contra os idosos
No Brasil, os idosos ainda são tratados muito mal apesar de todas as políticas públicas inauguradas de dez anos para cá regidas por leis e regulamentadas em estatutos, e não obstante a aguda desigualdade que persiste no país. Nossa cultura, que ao contrário do que se dizia no passado, é uma cultura violenta em todas as classes, da elite abonada aos mais pobres (ou explorados), reforça a uma imagem negativa na alma do brasileiro: velhos pobres e dependentes – física ou financeiramente – são tratados com, no mínimo, impaciência e negligência.
Estorvos e alvos de piadas e chacotas crueis eles são ‘desrespeitados diariamente’ no dizer de um profissional liberal de classe média, 70 anos, aposentado, mas atuante no exercício de seu trabalho, por desejo de sobreviver em uma velhice independente.
Entre os velhos ricos, com frequência bajulados por parentes ansiosos em botar a mão na parte da herança que lhes cabe do condomínio familiar, a violência e a exploração podem vir de dentro da própria família, camufladas em hipocrisia ou em golpes financeiros sutis e traiçoeiros.
Agora, porém, em mais uma iniciativa da secretaria de Direitos Humanos da presidência da República através de sua Coordenadoria Geral dos Direitos dos Idosos procura-se contribuir para a correção desses estereótipos negativos relembrando punições legais e policiais aos crimes de violência contra os mais velhos e, sobretudo difundindo informação, distribuindo aos membros do Conselho Nacional do Idoso, aos integrantes dos conselhos estaduais e distritais, aos 2800 conselhos municipais do país e às 90 delegacias que atuam na área dos idosos, a publicação Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa com dados sobre uma situação que atinge a população deste país com mais de 200 milhões de habitantes - quinta nação mais populosa do planeta -, dos quais auqse 25 milhões de indivíduos têm além de 60 anos.
O Manual é apresentado paralelamente à assinatura pela presidenta Dilma Rousseff, em setembro de 2013, do Compromisso Nacional para o Envelhecimento Ativo que atualmente está sendo articulado por 17 ministérios, estados, Distrito Federal e municípios. Ele define o que é violência contra o idoso, apresenta estatísticas impressionantes; algumas das causas que levam os mais velhos aos hospitais e a violência difusa, permanente e insidiosa que tem como alvo a população de mais de 60 anos.
O volume também lembra que, segundo todas as convenções internacionais, os governos devem priorizar os direitos da pessoa idosa. Devem apoiar familiares e profissionais (cuidadores) ou os que acompanham ou abrigam os mais velhos em suas famílias e residências. Precisam estimular a criação de espaços sociais seguros e amigáveis fora de casa e no seu interior quando neles habitam idosos.
Um dos aspectos mais significativos do trabalho é a prevenção de dependências e a abordagem sobre a formação de profissionais de saúde, assistência e cuidadores profissionais que, “bem preparados, sensíveis e atuantes promovem a prevenção de vários tipos de violência institucional interferindo na dinâmica familiar onde ocorre grande parte dos maus-tratos, das negligências, dos abusos e do abandono.”
O Manual relembra que o Brasil conta apenas com 900 médicos geriatras para atendimento a uma população de 24 800 indivíduos a partir de 60 anos.
Para uma ideia mais aproximada da violência da qual é vítima o idoso (a) na nossa sociedade, desde 2011 até o primeiro trimestre deste ano de 2014, o Disque-100* registrou 77 059 denúncias de violações de direitos humanos contra a pessoa idosa. Segundo dados desse serviço - cada vez mais conhecido e utilizado pela população, - os tipos mais comuns de violação contra os mais velhos são a negligência (68,7%), a violência psicológica (59,3%) e o abuso financeiro e econômico relacionado à violência patrimonial - surpreendentes 40,1% dos casos. Faixa etária que mais sofreu abuso financeiro: de 76 a 80 anos.
Se há um ano eram 19,68% os casos de abuso financeiro nesta faixa etária, hoje, até aqui, o número de denúncias já chegou a 20,43%. E se em 2013 cerca de 50% dos infratores eram filhos de idosos, apenas nos primeiros meses deste ano o número subiu para 53%!
O quadro que aponta para uma covardia sem nome é o de casos de violência física – 34 %. Vítimas mulheres: 66,29%. Homens: 27,26%. Maior incidência, entre 76 e 80 anos.
Autora do Manual, a cientista social Neusa Pivatto Müller, coordenadora do departamento de Direitos dos Idosos da SDH ressalva: “Esta violência exige análise das relações sociais, econômicas e culturais no contexto em que ela se produz. Não são apenas as limitações físicas próprias da idade que definem a vulnerabilidade da população. Mas é o medo de represálias ou de mais violência; o sentimento de culpa e vergonha por depender de outros; as limitações cognitivas e a desconfiança; o isolamento social e a incapacidade de reação.”
Segundo Müller, “ (no Brasil) o conjunto de normas, leis, programas e serviços relacionados à proteção das pessoas idosas são insuficientes para garantir sua exequibilidade. Novas políticas públicas e novas atitudes que caracterizem uma necessária mudança cultural precisam se impor para garantir o respeito que a pessoa idosa merece fazendo valer seu direito humano de ser tratada com igualdade, dignidade e respeito.”
Os 5000 exemplares do Manual alcançam um vasto público de pessoas idosas, gestores, prestadores de serviços, profissionais de saúde e de assistência social, operadores do direito, membros dos conselhos do idoso, agentes de segurança e familiares assim como promotores e defensores que atuam na defesa dos direitos da pessoa idosa, grupos de pessoas idosas do SESC e trabalhadores e trabalhadoras rurais através da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG - e das Federações de Trabalhadores Rurais.
Sua distribuição é gratuita e o Manual está disponível para acesso no site da SDH. O acesso amplo das pessoas idosas a esta publicação se faz também através do apoio aos projetos que envolvem ações de capacitação como é o caso da Coordenação Geral dos Direitos do Idoso (SDH) que, anualmente, transfere a estados e municípios recursos para o enfrentamento à violência conta essa população. Do mesmo modo, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso acessa recursos às organizações da sociedade civil oriundos do Fundo Nacional do Idoso – FNI (*).
Fonte: Carta Maior Direitos Humanos - Léa Maria Aarão Reis
Estorvos e alvos de piadas e chacotas crueis eles são ‘desrespeitados diariamente’ no dizer de um profissional liberal de classe média, 70 anos, aposentado, mas atuante no exercício de seu trabalho, por desejo de sobreviver em uma velhice independente.
Entre os velhos ricos, com frequência bajulados por parentes ansiosos em botar a mão na parte da herança que lhes cabe do condomínio familiar, a violência e a exploração podem vir de dentro da própria família, camufladas em hipocrisia ou em golpes financeiros sutis e traiçoeiros.
Agora, porém, em mais uma iniciativa da secretaria de Direitos Humanos da presidência da República através de sua Coordenadoria Geral dos Direitos dos Idosos procura-se contribuir para a correção desses estereótipos negativos relembrando punições legais e policiais aos crimes de violência contra os mais velhos e, sobretudo difundindo informação, distribuindo aos membros do Conselho Nacional do Idoso, aos integrantes dos conselhos estaduais e distritais, aos 2800 conselhos municipais do país e às 90 delegacias que atuam na área dos idosos, a publicação Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa com dados sobre uma situação que atinge a população deste país com mais de 200 milhões de habitantes - quinta nação mais populosa do planeta -, dos quais auqse 25 milhões de indivíduos têm além de 60 anos.
O Manual é apresentado paralelamente à assinatura pela presidenta Dilma Rousseff, em setembro de 2013, do Compromisso Nacional para o Envelhecimento Ativo que atualmente está sendo articulado por 17 ministérios, estados, Distrito Federal e municípios. Ele define o que é violência contra o idoso, apresenta estatísticas impressionantes; algumas das causas que levam os mais velhos aos hospitais e a violência difusa, permanente e insidiosa que tem como alvo a população de mais de 60 anos.
O volume também lembra que, segundo todas as convenções internacionais, os governos devem priorizar os direitos da pessoa idosa. Devem apoiar familiares e profissionais (cuidadores) ou os que acompanham ou abrigam os mais velhos em suas famílias e residências. Precisam estimular a criação de espaços sociais seguros e amigáveis fora de casa e no seu interior quando neles habitam idosos.
Um dos aspectos mais significativos do trabalho é a prevenção de dependências e a abordagem sobre a formação de profissionais de saúde, assistência e cuidadores profissionais que, “bem preparados, sensíveis e atuantes promovem a prevenção de vários tipos de violência institucional interferindo na dinâmica familiar onde ocorre grande parte dos maus-tratos, das negligências, dos abusos e do abandono.”
O Manual relembra que o Brasil conta apenas com 900 médicos geriatras para atendimento a uma população de 24 800 indivíduos a partir de 60 anos.
Para uma ideia mais aproximada da violência da qual é vítima o idoso (a) na nossa sociedade, desde 2011 até o primeiro trimestre deste ano de 2014, o Disque-100* registrou 77 059 denúncias de violações de direitos humanos contra a pessoa idosa. Segundo dados desse serviço - cada vez mais conhecido e utilizado pela população, - os tipos mais comuns de violação contra os mais velhos são a negligência (68,7%), a violência psicológica (59,3%) e o abuso financeiro e econômico relacionado à violência patrimonial - surpreendentes 40,1% dos casos. Faixa etária que mais sofreu abuso financeiro: de 76 a 80 anos.Se há um ano eram 19,68% os casos de abuso financeiro nesta faixa etária, hoje, até aqui, o número de denúncias já chegou a 20,43%. E se em 2013 cerca de 50% dos infratores eram filhos de idosos, apenas nos primeiros meses deste ano o número subiu para 53%!
O quadro que aponta para uma covardia sem nome é o de casos de violência física – 34 %. Vítimas mulheres: 66,29%. Homens: 27,26%. Maior incidência, entre 76 e 80 anos.
Autora do Manual, a cientista social Neusa Pivatto Müller, coordenadora do departamento de Direitos dos Idosos da SDH ressalva: “Esta violência exige análise das relações sociais, econômicas e culturais no contexto em que ela se produz. Não são apenas as limitações físicas próprias da idade que definem a vulnerabilidade da população. Mas é o medo de represálias ou de mais violência; o sentimento de culpa e vergonha por depender de outros; as limitações cognitivas e a desconfiança; o isolamento social e a incapacidade de reação.”
Segundo Müller, “ (no Brasil) o conjunto de normas, leis, programas e serviços relacionados à proteção das pessoas idosas são insuficientes para garantir sua exequibilidade. Novas políticas públicas e novas atitudes que caracterizem uma necessária mudança cultural precisam se impor para garantir o respeito que a pessoa idosa merece fazendo valer seu direito humano de ser tratada com igualdade, dignidade e respeito.”
Os 5000 exemplares do Manual alcançam um vasto público de pessoas idosas, gestores, prestadores de serviços, profissionais de saúde e de assistência social, operadores do direito, membros dos conselhos do idoso, agentes de segurança e familiares assim como promotores e defensores que atuam na defesa dos direitos da pessoa idosa, grupos de pessoas idosas do SESC e trabalhadores e trabalhadoras rurais através da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG - e das Federações de Trabalhadores Rurais.
Sua distribuição é gratuita e o Manual está disponível para acesso no site da SDH. O acesso amplo das pessoas idosas a esta publicação se faz também através do apoio aos projetos que envolvem ações de capacitação como é o caso da Coordenação Geral dos Direitos do Idoso (SDH) que, anualmente, transfere a estados e municípios recursos para o enfrentamento à violência conta essa população. Do mesmo modo, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso acessa recursos às organizações da sociedade civil oriundos do Fundo Nacional do Idoso – FNI (*).
Fonte: Carta Maior Direitos Humanos - Léa Maria Aarão Reis
Creches para idosos
Esse é um novo tipo de negócio que tem crescido em São Paulo. Alguns já nasceram como creches ou centros-dia como preferem chamar alguns especialistas. Outros são Casas de Repouso que estão aproveitando o espaço ocioso para atender os idosos por diárias. Alguns chegam a oferecer serviço de transporte (leva e traz).
"As creches são uma tendência. É um bom negócio para as Casas de Repouso porque aproveitam a estrutura física e de pessoal que já têm e resolve o dilema das famílias que não querem deixar seu idoso asilado", afirma Eduardo Bonini, consultor na área de gerontologia.
Os idosos chegam pela manhã, trazidos por familiares, passam o dia, cantam, conversam sobre as últimas notícias, recebem cuidados terapêuticos e nutricionais, fazem de quatro a seis refeições ao dia e desenvolvem várias atividades monitoradas, como desenho e canto. Também têm sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. No final do dia, às vezes já de banho tomado, voltam para suas casas.
Como ainda não existe uma regulamentação específica, não é obrigatório um suporte médico. Mas é recomendado que a casa conte com profissionais, como terapeuta ocupacionais, nutricionistas e cuidadores profissionais. Em geral, os usuários das creches são idosos fragilizados, têm doenças como Alzheimer ou Parkinson, ou sequelas de derrame.
O termo creche é polêmico. Especialistas em envelhecimento dizem que ele é pejorativo, infantiliza o idoso. "É lamentável chamar de creche. Mesmo no caso de pessoas com demência é fundamental manter sua autonomia, respeitar seus desejos. Não é uma criança", diz o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade.
Já os proprietários desses centros até usam o nome como marketing. "Já tentamos centro-dia, centro de vivência, mas o que pegou mesmo é creche ou escolinha", diz Neli Gaeta, sócia do Centro de Vivência Solar Flor de Lis. Ex-diretor na OMS na área de envelhecimento, Kalache aprova o conceito dos centros-dia. "Eles ajudam o idoso a preservar a dignidade, aumenta a sociabilização e estimula as funções físicas e mentais remanescentes." Mas ele alerta que a falta de uma regulamentação clara sobre o funcionamento dos serviços pode gerar abusos. "Vira um depósito de idosos."
Independente do termo creche ou Centros-dia o fato é que essa é uma solução bastante interessante para as famílias, porque viabiliza os cuidados necessários que o idoso precisa receber, promove a convivência, estimula a criatividade e preserva a integridade e a convivência familiar, que é muito importante ao equilíbrio emocional do idoso.
Projeto de Lei
Tramita na Câmara de São Paulo um projeto de lei que prevê a criação de creches públicas para idosos, dentro de um programa social voltado para a terceira idade. A população idosa no município é de 12%.
É fundamental termos políticas públicas não só para esse idoso que tem família e que pode voltar para casa no final do dia, como para aquele que já foi abandonado pelos familiares", diz Hélio de Oliveira, responsável pela coordenadoria do idoso do município.
Parte desses idosos sem apoio familiar é atendida hoje por um programa de acompanhamento de idosos, da Secretaria Municipal da Saúde. Os acompanhantes levam os idosos ao médico, supervisionam a alimentação e higiene pessoal e ajudam na manutenção da casa. O programa atende hoje a cerca de 2.700 idosos.
Com o envelhecimento da população brasileira, que em 2020 deve atingir 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o centro-dia surge como opção para atender a demanda por um serviço de assistência a idosos semidependentes.
Idosos semidependentes são aqueles que não apresentam ações graves e que não podem receber os cuidados necessários durante o dia por parte de seus familiares.
Alguns estudos realizados pelos pesquisadores gerontólogos da USP (Universidade de São Paulo) mostram que os motivos que levam os familiares a colocar seus idosos em um centro-dia são vários. Alguns exemplos:
1 - Conflitos na família;
2 - Necessidade de tempo livre para o cuidador;
3 - Necessidade de atividade e convívio social para o idoso;
4 - Percepção do estresse e cansaço para cuidar;
5 - Declínio cognitivo e da funcionalidade do idoso.
Quando bem equipados e estruturados, esses centros trazem benefícios biopsicossociais à vida dos idosos. Dentre eles, foram relatados pelos idosos aspectos de superação a determinados eventos de vida, como a perda de entes queridos.
O convívio entre os idosos frequentadores e destes com os profissionais também se mostrou essencial no resgate da vida social. Além disso, os familiares também observam benefícios como perceber o idoso mais feliz, com mais tempo livre para si e família, além de melhora na saúde e na relação com os familiares.
Esses resultados mostram o centro-dia como opção positiva e alternativa para evitar o asilamento. Eles já são uma realidade em vários países.
No Japão, por exemplo, o centro-dia é encontrado em todos os bairros, em todo território nacional, pois perceberam que a melhor alternativa para a pessoa idosa é retornar para a casa no final do dia e permanecer na companhia de seus familiares.
Esses centros precisam ser urgentemente instalados no Brasil, em um número que possa atender à população idosa, pois os que temos são insuficientes. Por isso, é fundamental que a proposta de centro-dia para idosos seja incorporada em uma política pública, com profissionais sérios e competentes.
Fonte: Folha de São Paulo (Cláudia Collucci e Rosa Sato Chubaci)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Um paradigma a ser quebrado: velho ou idoso?
O Brasil está ficando cada vez mais velho. Pesquisas apontam para o crescimento populacional de pessoas idosas e declínio da fecundidade. É como se a pirâmide da faixa etária brasileira virasse de cabeça para baixo. Nesse rumo, fotografias com grandes famílias, será coisa do passado. O aumento da expectativa de vida da pessoa idosa se deve a fatores como cuidados com a saúde, informação, atividade física, qualidade de vida e garantia de direitos.
Em relação aos direitos, há certa contradição, pois, enquanto aumentam os direitos sociais, como transporte coletivo, fila exclusiva, dentre outros, se reduzem os hábitos de respeito a eles. Não é incomum as pessoas ocuparem vagas de estacionamento destinadas ao idoso ou simplesmente não priorizarem seu atendimento. Neste contexto, é importante repensar e alterar hábitos.
Além dos hábitos, qual imagem vem à mente quando falamos em idoso? Seria aquela figura de um velho curvado com uma bengala na mão, o qual se vê como símbolo de acessibilidade. Esta imagem não necessariamente retrata a realidade dessas pessoas, pois, quanto mais descobertas a ciência faz, mais cedo iniciar os cuidados com a saúde, mais garantia de um envelhecimento com qualidade, estando distante da imagem retratada.
Neste sentido, há quem diga que há diferença entre ser velho e ser idoso. Segundo o dicionário Aurélio, velho é o que tem idade avançada; idoso: que tem muitos anos, velho. Compreendendo desta forma, as palavras são quase que sinônimos. No entanto, alguns jamais suportariam a ideia de serem chamados de velhos. A palavra velho pode remeter a inutilidade, mas a verdadeira velhice está no espírito das pessoas.
Muitos já se depararam com jovens velhos, que se entregam a passagem do tempo e velhos jovens, ativos e cheios de vida. Podemos ser velhos aos 30 anos e jovens com 70 anos. O espírito pode se manter jovem enquanto estivermos vivos, independente do estado geral da matéria, do nosso corpo. A coluna pode doer devido ao desgaste do tempo, mas a alma e a vontade de viver podem e devem ser preservadas, pois, enquanto houver vida, há possibilidade de transformar e transformar-se. Fazendo referência ao livro “Aprenda a curtir seus anos dourados”, destacam- se reflexões importantes:
• Idoso é quem tem muita idade; velho é quem perdeu a jovialidade;
• Você é idoso quando sonha; você é velho quando apenas dorme;
• Você é idoso quando ainda aprende; você é velho quando já ensina;
• Você é idoso quando se exercita; você é velho quando apenas descansa;
• Você é idoso quando ainda sente amor; você é velho quando só sente ciúmes;
• Você é idoso quando o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida; você é velho quando todos os dias parecem o último da sua longa jornada;
• Você é idoso quando seu calendário só tem amanhãs; você é velho quando o calendário só tem ontem;
• O idoso tem planos; o velho apenas saudades;
• O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e esperança; para ele o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega;
• Para o velho as horas arrastam, destituídas de sentido;
• As rugas do idoso são bonitas, porque foram marcadas pelo sorriso; as rugas dos velhos são feias, porque foram vincadas pela amargura.
Em resumo, idoso e velho são duas pessoas que até podem ter a mesma idade no cartório, mas carregam em si idades bem diferentes no coração, no pensamento, na atitude. A vida é cíclica e tem suas fases, a gestação, o nascimento, a infância, a juventude, a vida adulta e a velhice.
Sem exceção, cada fase tem suas dificuldades, aprendizagens, anseios, dores e medos, mas também podem ser cheias de encanto, aprendizagem e doçura. E a cada descoberta, a oportunidade de guardar experiências, manter o espírito jovem e a esperança de nunca ficar velho.
Fonte: ifiladelfia.com
Velhice sem tabus: quase 3 milhões de idosos moram sozinhos no Brasil
Os anos passam, a nossa pirâmide etária — aquela que mede a população por faixa etária e que tem na base os mais jovens — já está em vias de se tornar um retângulo e, ainda assim, envelhecer segue um tabu. Envelhecer livre e solitariamente, então, deve causar discussões quase tão inflamadas quanto o futebol. O que fazer com os idosos que, indo cada vez mais longe em seus aniversários e com saúde sobrando — graças aos avanços da medicina —, escolhem simplesmente seguir a vida sozinhos e independentes, ignorando os clichês de se abrigarem em asilos ou em quartos nas casas dos filhos? O assunto rende. O que é óbvio, embora às vezes difícil de enxergar, é que a velhice será cada vez mais uma realidade presente, basta acompanhar os cálculos sobre a expectativa de vida do homem. No último 2 de dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou os dados: hoje, os brasileiros vivem, em média, 74,6 anos, exatamente cinco meses e 12 dias a mais que em 2011.
Mas não é apenas a vida um pouco mais longeva que tem feito o cenário da população de idosos mudar. Os anos a mais de vida têm sido, em boa parte, sem doença e debilidade. Os idosos trabalham, mantêm a agenda ocupada, estão mais atentos à saúde. O mesmo IBGE divulgou, em novembro passado, um estudo que mostra que 27% dos idosos brasileiros — pessoas com 60 anos ou mais — estão no mercado de trabalho. O próximo número é apenas uma consequência de todos os outros aqui expostos: existem no Brasil 2.816.470 idosos morando sozinhos. No Distrito Federal, são 26.426 cuidando da própria vida e pouco dispostos a abrir mão da liberdade e da independência em nome de uma vida “mais segura” — mas também, muitas vezes, menos confortável — ao lado de familiares ou em instituições de longas permanência, os antigos asilos.
“As gerações que hoje têm entre 60 e 75 anos desfrutam de condições de vida muito melhores: os sistemas de pensões e de saúde, o acesso à educação, à tecnologia de informação e de comunicação e a melhoria da infraestrutura urbana e rural permitem que os cidadãos, quando envelhecem, possam empreender novos projetos de vida, cuidar-se, desfrutar dos bens sociais e culturais e aprender coisas novas”, analisa Mayte Sancho, diretora científica da Fundación Matía, uma instituição espanhola sem fins lucrativos dedicada a cuidar de idosos e a produzir conhecimento a fim de melhorar sua qualidade de vida.
Ela lembra, no entanto, que, normalmente, o momento em que as famílias passam a pressionar o idoso para que ele saia da própria casa e passe a morar com um parente, um cuidador ou em uma instituição é justamente aquele em que julgam que o idoso já não consegue mais cuidar de si — esteja esse julgamento certo ou não. “Atualmente, o número de idosos morando sozinhos aumenta sem parar. O que é, a princípio, um indicador de competência para esse grupo da população cada vez mais longevo, mas também autônomo, capaz e independente”, observa a cientista. “Mas, quando a solidão se une à dependência, tudo muda. Aparece a fragilidade e, claro, as famílias passam a buscar soluções mais seguras e confortáveis para seus velhos”, diz.
Mas não é apenas a vida um pouco mais longeva que tem feito o cenário da população de idosos mudar. Os anos a mais de vida têm sido, em boa parte, sem doença e debilidade. Os idosos trabalham, mantêm a agenda ocupada, estão mais atentos à saúde. O mesmo IBGE divulgou, em novembro passado, um estudo que mostra que 27% dos idosos brasileiros — pessoas com 60 anos ou mais — estão no mercado de trabalho. O próximo número é apenas uma consequência de todos os outros aqui expostos: existem no Brasil 2.816.470 idosos morando sozinhos. No Distrito Federal, são 26.426 cuidando da própria vida e pouco dispostos a abrir mão da liberdade e da independência em nome de uma vida “mais segura” — mas também, muitas vezes, menos confortável — ao lado de familiares ou em instituições de longas permanência, os antigos asilos.
“As gerações que hoje têm entre 60 e 75 anos desfrutam de condições de vida muito melhores: os sistemas de pensões e de saúde, o acesso à educação, à tecnologia de informação e de comunicação e a melhoria da infraestrutura urbana e rural permitem que os cidadãos, quando envelhecem, possam empreender novos projetos de vida, cuidar-se, desfrutar dos bens sociais e culturais e aprender coisas novas”, analisa Mayte Sancho, diretora científica da Fundación Matía, uma instituição espanhola sem fins lucrativos dedicada a cuidar de idosos e a produzir conhecimento a fim de melhorar sua qualidade de vida.
Ela lembra, no entanto, que, normalmente, o momento em que as famílias passam a pressionar o idoso para que ele saia da própria casa e passe a morar com um parente, um cuidador ou em uma instituição é justamente aquele em que julgam que o idoso já não consegue mais cuidar de si — esteja esse julgamento certo ou não. “Atualmente, o número de idosos morando sozinhos aumenta sem parar. O que é, a princípio, um indicador de competência para esse grupo da população cada vez mais longevo, mas também autônomo, capaz e independente”, observa a cientista. “Mas, quando a solidão se une à dependência, tudo muda. Aparece a fragilidade e, claro, as famílias passam a buscar soluções mais seguras e confortáveis para seus velhos”, diz.
A convivência com os filhos hoje, no entanto, não é mais como em tempos passados. As mulheres, cuidadoras natas, estão inseridas no mercado de trabalho e já não têm mais tanta disponibilidade para dar a atenção necessária ao familiar. Além disso, lembra Mayte, as casas são menores e, muitas vezes, hostis a uma pessoa que precisa de cuidados. “E o mais importante: o idoso perde suas referências e seu espaço de poder e decisão, que é a sua casa. Por isso, pelo menos na Espanha, cada vez menos pessoas aceitam ir morar com os filhos quando perdem sua independência”, conclui a especialista.
Ter o poder de decidir o que fazer quando esses tempos chegarem, no entanto, está mesmo nas mãos dos jovens. Planejar uma velhice saudável e segura enquanto ainda é tempo, dizem médicos e estudiosos, ainda é a melhor forma de não se ver obrigado a aceitar decisões tomadas pelos outros no futuro.
Fonte: Saúde Plena
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Desigualdade nunca foi tão grande nos países ricos, constata OCDE
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Imagem feita em Paris: as pequenas aposentadorias levam muitos idosos a procurar restos de comida no lixo.REUTERS/Eric Gaillard.
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A desigualdade entre ricos e pobres nunca foi tão grande nos países desenvolvidos. A constatação é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem sede em Paris. Em relatório publicado nesta terça-feira (9), a entidade afirma que a renda dos 10% da população mais rica é, atualmente, nove vezes e meia maior do que a renda dos 10% mais pobres nos 34 países que integram a organização.
O estudo analisou a evolução dos ganhos nos últimos 30 anos. O texto aponta que, em 1980, os mais ricos ganhavam no máximo sete vezes mais do que os mais pobres.
Brasil, Índia e China não fizeram parte do levantamento por não serem associados à OCDE. A entidade reúne a maior parte dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, os integrantes da União Europeia, Austrália e Japão, além de Estados emergentes como México, Chile e Turquia.
Nos 30 anos analisados pelo estudo, os países que apresentaram maior incremento da desigualdade foram Estados Unidos, Finlândia, Israel, Nova Zelândia e Suécia. França, Bélgica e Holanda registraram, no mesmo período, uma pequena variação de renda da população. Por outro lado, Grécia e Turquia conseguiram diminuir o fosso entre ricos e pobres.
Esse aumento da desigualdade afeta o crescimento, alerta a OCDE. De acordo com a organização, a concentração de renda na ponta da pirâmide custou 10 pontos de crescimento ao México e à Nova Zelândia, quase 9 ao Reino Unido, à Finlândia e à Noruega. O prejuízo foi menor, de 6 a 7 pontos de recuo do PIB, para Estados Unidos, Itália e Suécia.
Educação é prejudicada
Segundo a OCDE, o impacto negativo das desigualdades sobre o crescimento decorre do hiato que separa os 40% com rendimento mais modesto do restante da população. Os salários baixos limitam o investimento das famílias em educação, comprometendo a mobilidade social e o desenvolvimento das competências individuais. Para a OCDE, os resultados escolares dos filhos de pais pouco instruídos se deteriora à medida em que as desigualdades de renda são mais pronunciadas. O relatório considera válido utilizar os impostos e mecanismos de distribuição de renda para combater as desigualdades, sem prejuízo ao crescimento.
Os poderes públicos devem concentrar sua ação na ajuda aos 40% mais pobres, recomenda a OCDE, incluindo uma parte da classe média baixa. Além dos programas de combate à pobreza, a organização preconiza mais investimentos em educação, qualificação profissional e assistência médica para manter, a longo prazo, a igualdade de chances.
Fonte: RFI - Português.
Empréstimo consignado de aposentados já pode ser pago em até 72 parcelas
Desde 1º de outubro, os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) podem parcelar o pagamento de empréstimo consignado em até 72 meses. A medida, que foi uma forma de aquecer a procura por crédito, preocupa economistas com a possibilidade de aumento do endividamento.
O prazo máximo para o pagamento dessas operações era de 60 meses, mas uma portaria do Ministério da Previdência Social ampliou esse prazo, conforme publicado no Diário Oficial da União, de 29 de setembro.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, a ampliação do prazo aumentará o risco de endividamento, principalmente dos idosos. “A maioria dos empréstimos retirados é para passar a terceiros ou para comprar determinado item de consumo que não vai gerar lucro, só endividamento puro”, avaliou.
Em setembro, o volume de operações de consignado no Amazonas chegou a R$ 24,53 milhões, cerca de 24,3% maior que o registrado em setembro de 2013. Já o número de segurados com esse empréstimo passou de 5.749 em setembro do ano passado para os atuais 6.453, segundo a Previdência.
As taxas são um dos pontos mais atrativos para o consignado, segundo Evangelista, já que são menores que as praticadas no mercado em geral. As taxas de juros das operações, fixada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, é de no máximo 2,14%, ao mês, para o empréstimo e de 3,06%, ao mês, para o cartão consignado. Esse é o valor que incide, mensalmente, sobre o valor da parcela.
Justamente por ter juros menores que os praticados no mercado, o consignado também tem seu lado positivo. “Você pode trocar várias dívidas, como cartão de crédito, por uma dívida a longo prazo com juros menores”, afirma o economista Francisco Mourão Júnior.
Dicas
Mas quem pretende contratar essa operação deve ter cuidado. O Conselho Nacional de Previdência Social estipula, em 30% do valor da pensão ou aposentadoria, o valor máximo da renda a ser comprometida com a operação, justo para evitar que os aposentados e pensionistas se endividem.
O empréstimo ou crédito consignado é descontado na folha de pagamento do aposentado ou pensionista mensalmente. Por isso, é preciso ter cautela. “Se você não tiver um planejamento financeiro, isso pode se tornar um perigo justamente porque é a longo prazo”, afirma Mourão, ressaltando que a situação é pior ainda para idosos que tem gastos com médicos e remédios.
Além do planejamento, o aposentado e pensionista deve checar se realmente precisa deste empréstimo. “Tem que ter muito cuidado porque uma vez contratado, vai ser debitado até a última parcela”, afirma Evangelista, destacando que esse compromisso financeiro vai limitar o poder de compra por um bom tempo.
Fonte: D24am
Franquia de cuidados com idosos inicia projeto para trazer mais qualidade de vida para 3ª idade
Right at Home, líder mundial em cuidados com idosos em domicílio, começa a realizar palestras e distribuir cartilhas para abordar temas como prevenção de quedas e fatores de risco para conscientizar a Terceira Idade.
Instituições interessadas podem entrar em contato com as franquias no Brasil para receberem gratuitamente a cartilha de prevenção de quedas.
Melhorar a qualidade de vida das famílias. Este é o principal propósito da Right at Home (www.rigthathome.com.br), líder mundial em cuid
ados com idosos em domicílio. Por este motivo, a franquia norte-americana começa um processo para conscientizar a Terceira Idade. A intenção é mostrar que é preciso preparar-se para ter uma melhor qualidade de vida nesta fase.
“Ás vezes por causa de uma simples queda, a vida do idoso e de seus familiares vira um caos”, afirma Eduardo Chvaicer, máster franqueado da Right at Home no Brasil. “E por que não tomar algumas ações de prevenção? Nós oferecemos cuidadores de idosos, mas queremos que nosso público esteja bem”.
De fato, um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em 2011, mostrava que por dia, em média, quatro idosos morriam no Estado em razão de quedas. Ainda segundo o estudo, 27.886 pessoas com mais de 60 anos tinham sido internadas naquele ano por conta de alguma queda.
A intenção é mostrar aos idosos quais os fatores de risco e os perigos dentro de sua própria casa. “Há uma certa resistência porque ninguém quer admitir que sua mobilidade não é mais a mesma e que seu organismo não é mais como de um jovem. Tomamos atitudes somente depois que um acidente acontece. Por isso, resolvemos conscientizar que é preciso redobrar os cuidados para aproveitar melhor a aposentadoria. É melhor dar o ‘braço a torcer’ do que ficar com ele quebrado”, afirma Eduardo.
Portanto, a Right at Home preparou palestras e uma cartilha sobre qualidade de vida e prevenção de quedas. As instituições, igrejas, grupo de apoio a idosos, casas de repouso, hospitais que tiverem interesse na palestra poderão entrar em contato para agendar gratuitamente. Basta enviar um e-mail para (contato@rightathome.com.br) fazendo o pedido. Os franqueados em São Paulo também estão disponíveis para ministrar palestras sobre o assunto.
História da Rede - Allen Hager fundou a Right at Home nos Estados Unidos após passar quase uma década na administração de hospitais. Enquanto esteve no ambiente hospitalar viu muitos pacientes (especialmente idosos) saírem do hospital e retornarem para casa, mas não necessariamente voltarem a ter saúde. Uma vez em casa, muitos destes ex-pacientes eram incapazes de cuidar de si próprios. Allen sabia que com uma pequena ajuda, muitas destas pessoas poderiam manter vidas saudáveis e felizes em suas próprias casas, além disso, ele tinha conhecimento que poucas empresas ofereciam este tipo de assistência.
Em 1995, Allen inaugurou a primeira Right at Home em Omaha, Nebraska. Cinco anos depois, começou a expandir para outras regiões do país, selecionando cuidadosamente franqueados que compartilhavam sua paixão por cuidar das pessoas e de suas comunidades.
Em 2012, foi eleita a pela revista Black Enterprise, como uma das 25 melhores franquias para afro-americanos, está entre 100 melhores empresas para se trabalhar eleita pela Star Tribune e uma das 100 melhores franquias para a terceira idade em eleição feita pela Franchise Business Review.
Hoje possui cerca de 450 operações nos Estados Unidos e em mais oito países (Austrália, Brasil, Canadá, China, Irlanda, Japão, Reino Unido e Holanda), cuidando de mais de 15 mil pessoas por dia. Em 2013 seu faturamento foi de 266 milhões de dólares. Esse ano foi eleita ainda a segunda melhor franquia americana até 150 mil dólares
Fundada em 1995 por Allen Hager, nos Estados Unidos, a Right at Home é líder mundial em cuidados com idosos em domicílio e tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das famílias, oferecendo serviços de cuidadores que auxiliam idosos e adultos convalescentes que queiram permanecer em suas casas.
A empresa conta hoje com cerca de 450 franquias espalhadas nos Estados Unidos, Canadá, China, Irlanda, Inglaterra, Brasil, Austrália, Japão e Holanda cuidando de mais de 15 mil pessoas por dia. Antes de entrar na casa dos clientes, seus profissionais são criteriosamente selecionados por um rigoroso processo, que inclui avaliações e testes psicotécnicos.
Fonte: Segs.com.br-Portal Nacional|Clipp Noticias para Seguros|Saude.
O Brasil e seus idosos: sinal de alerta aceso
Um dos principais desafios da presidente reeleita, Dilma Rousseff, será administrar o problema da saúde no Brasil, em especial as consequências do acelerado processo de envelhecimento pelo qual passa nossa população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos no país chegará a 13% em 2020, ou seja, serão mais de 32 milhões de indivíduos, escancarando o total despreparo do país para oferecer qualidade de vida às pessoas idosas.
Dizemos isso porque não temos o que esperar de um país que está em franco processo de envelhecimento, mas não implanta de maneira eficaz suas políticas públicas de assistência aos mais velhos. Temos uma política nacional do idoso bem definida, um Estatuto do Idoso aprovado desde 2003, porém, 11 anos depois, ainda percebemos que boa parte da população idosa desconhece seus direitos. E o poder público pouco faz para garanti-los.
Na Bahia, encontramos idosos sem assistência adequada à saúde e apenas um centro de referência o Creasi. Convivemos com milhares de casos anuais de violência,
muitos deles subnotificados ou cercados de impunidade. A Delegacia Estadual do Idoso (Deati) não tem pessoal e estrutura suficientes. O desrespeito diário às leis de proteção à pessoa idosa e a falta de projetos consistentes sobre essa temática, seja no Executivo ou Legislativo, também são uma triste realidade.
Quando o assunto é aposentadoria, a reforma previdenciária deve ser pauta de urgência para o atual governo. Os impactos na economia do país, devido ao crescimento vertiginoso do número de idosos, e um sistema previdenciário que aposenta indivíduos em pleno vigor laboral, pressionam gradativamente a população economicamente ativa, que se mostra insuficiente para pagar a conta.
A situação da previdência já é de insolvência e com futuro certamente catastrófico. Não resta outra saída a não ser uma discussão política compromissada para modificar completamente esse modelo, repactuando direitos e obrigações, antes mesmo de sua própria falência. Prolongar a idade da aposentadoria e o tempo de contribuição foi a fórmula adotada por outros países, a exemplo da Itália e Inglaterra, a fim de se evitar um colapso em seus sistemas previdenciários. E o Brasil não fugirá à regra. Não agir agora é cometer um ato de extrema irresponsabilidade com nossos idosos e as gerações futuras.
Em paralelo, é preciso que a sociedade assuma, de uma vez por todas, o compromisso de respeitar seus velhos. Também é preciso intensificar as campanhas de conscientização sobre o processo de envelhecimento e seus impactos na saúde, a fim de mudar a visão dos mais jovens com relação ao seu próprio futuro. A prevenção sempre será o melhor remédio!
Além disso, estimular a capacitação de profissionais especializados em geriatria e gerontologia para oferecer uma melhor assistência aos idosos, e adequar a eles os nossos planos de mobilidade urbana são, também, medidas de fundamental importância, assim como criar centros de convivência, centros-dia e instituições de longa permanência (ILPI), todos sob a tutela do poder público. Afinal, garantir às pessoas idosas o direito à saúde, à participação social e à segurança é, por lei, uma obrigação do Estado.
Fonte: atarde.com.br
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