Estudos recentes têm mostrado que a religião contribui satisfatoriamente para o bem-estar de indivíduos de todas as idades, existindo inclusive pesquisas que parecem apontar uma melhora mais rápida no estado de saúde dos doentes, que têm uma crença religiosa e naqueles que possuem outras pessoas orando por eles.
É muito comum, ao entrarmos em igrejas, centros e templos, depararmos com muito idosos presentes nestas atmosferas de fé. Algumas pessoas passam a maior parte de suas vidas inseridas neste contexto religioso, porém outras delas só o fazem quando envelhecem.
Alguns motivos propiciam o interesse do idoso pela religiosidade, tais como:
· Preenchimento do tempo livre pós-aposentadoria;
· Atividade gratuita, o que torna a religião acessível a pessoas de todas as classes sociais;
· Necessidade de encontrar um sentido para a vida;
· Conscientização da morte como um fim para esta vida e conseqüente vontade de perdoar, ser perdoado, em busca de paz espiritual;
· Possibilidade de relacionamento com pessoas que partilham ideais comuns;
· Espaço para exercer a solidariedade através de campanhas beneficentes;
· Estratégia de enfrentamento frente às dificuldades da vida, especialmente os problemas de saúde.
Estes fatores demonstram como a religiosidade pode ser benéfica para o idoso, que se torna mais ativo, interage com pessoas de diferentes faixas etárias, encontra uma importante estratégia de enfrentamento para os declínios proporcionados pelo envelhecimento e, indiretamente, acaba sendo uma forma de estimulação cognitiva (recordação de orações, leitura, atenção, etc).
A religiosidade proporciona um importante suporte social ao idoso, por isto é importante estimularmos nossos idosos a participarem dos rituais religiosos (quando tiverem condições para isto), ou mesmo incentivar a prática religiosa em casa, pois além de todos os benefícios já mencionados anteriormente, a oração no lar pode ser uma forma simples e prazerosa de aproximar a família, pedir juntos, agradecer juntos e orar juntos.
Autores confirmam o que foi dito: “Para a psicologia, a religião pode ser vista como um recurso de enfrentamento que pode oferecer respostas às exigências da velhice, porque facilita a aceitação das perdas ligadas ao processo de envelhecimento, bem como oferece ferramentas psicológicas para o enfrentamento de situações estressantes, sem desequilibrar o indivíduo, ou seja, pode oferecer recursos para a compreensão e aceitação das dificuldades da vida. A religião pode fornecer um sentido, um significado à vida, que transcende o sofrimento, a perda e a percepção da mortalidade (GOLDSTEIN & SOMMERHALDER, 2002, p.951).”
Tendo isto em vista, fica melhor explicado o porquê das igrejas repletas de idosos. Podemos passar a perceber isto com outros olhos: ao invés de pensarmos que igreja é lugar de velhos, podemos ampliar nossos horizontes e refletir sobre a importância da religiosidade (da fé e do suporte social) para um envelhecimento com qualidade de vida.
Fonte: Luciene C. Miranda - Psicóloga - lucienecm@yahoo.com.br
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