A primeira terapia com células-tronco para acidentes vasculares cerebrais (AVCs) pode entrar em fase de testes clínicos neste ano. O novo tratamento indica que a pesquisa com células-tronco está crescendo não apenas em quantidade, mas em ambição.
O AVC causa sequelas duradouras ou permanentes, como a hemiplegia, na qual o paciente sofre de paralisia em um dos lados do corpo, e é a principal causa de invalidez em adultos do mundo desenvolvido. Ele aflige 25 milhões de pessoas mundialmente e o número de casos está crescendo 7% ao ano, principalmente pó causa do envelhecimento da população. “No momento não há praticamente nenhum tratamento e o pouco que existe trata os sintomas e não as causa”, diz o neurologista Justin Zivin da Universidade da Califórnia em San Diego.
As células-tronco têm o potencial de regenerar partes do corpo. Em estudos anteriores sobre AVCs em animais, as células-tronco injetadas no cérebro ou na corrente sanguínea migraram para os locais afetados, aparentemente levadas por sinais das células danificadas. Essa migração deve ocorrer porque as vias de reparo iniciadas pelas células lesadas são similares às geradas durante o desenvolvimento embrionário, onde as células-tronco são vitais.
A maior preocupação com relação ás células-tronco é o fato de elas serem instáveis quando cultivadas em laboratório. Porém, a empresa de biotecnologia da Inglaterra, Neuron, conseguiu gerar linhagens estáveis graças à manipulação e modificação dos genes.
Em estudos com ratos que sofreram AVC, foram implantados linhagens com o gene modificado: foi observado uma melhora significativa das funções sensoriais e motoras. As células-tronco provavelmente não substituíram o grande número de células perdidas durante o AVC. O que deve ter acontecido foi a secreção de componentes químicos que ativaram vias de reparo, resultando em novos vasos sanguíneos e células cerebrais.
Se a fase I dos testes clínicos para avaliação da segurança e da eficácia preliminar dessa terapia for aprovada, os pesquisadores da Universidade de Pittsburgh testarão a terapia em 10 pacientes que sofreram de isquemia crônica – a forma mais comum de AVC, no qual coágulos bloqueiam o fluxo sanguíneo. Entre 10 milhões e 20 milhões de células serão implantadas diretamente no cérebro, através de um pequeno orifício no crânio. Os pacientes serão monitorados por 24 meses.
Fonte: Revista Scientific American

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