Total de visualizações de página
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O Brasil e seus idosos: sinal de alerta aceso
Um dos principais desafios da presidente reeleita, Dilma Rousseff, será administrar o problema da saúde no Brasil, em especial as consequências do acelerado processo de envelhecimento pelo qual passa nossa população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos no país chegará a 13% em 2020, ou seja, serão mais de 32 milhões de indivíduos, escancarando o total despreparo do país para oferecer qualidade de vida às pessoas idosas.
Dizemos isso porque não temos o que esperar de um país que está em franco processo de envelhecimento, mas não implanta de maneira eficaz suas políticas públicas de assistência aos mais velhos. Temos uma política nacional do idoso bem definida, um Estatuto do Idoso aprovado desde 2003, porém, 11 anos depois, ainda percebemos que boa parte da população idosa desconhece seus direitos. E o poder público pouco faz para garanti-los.
Na Bahia, encontramos idosos sem assistência adequada à saúde e apenas um centro de referência o Creasi. Convivemos com milhares de casos anuais de violência,
muitos deles subnotificados ou cercados de impunidade. A Delegacia Estadual do Idoso (Deati) não tem pessoal e estrutura suficientes. O desrespeito diário às leis de proteção à pessoa idosa e a falta de projetos consistentes sobre essa temática, seja no Executivo ou Legislativo, também são uma triste realidade.
Quando o assunto é aposentadoria, a reforma previdenciária deve ser pauta de urgência para o atual governo. Os impactos na economia do país, devido ao crescimento vertiginoso do número de idosos, e um sistema previdenciário que aposenta indivíduos em pleno vigor laboral, pressionam gradativamente a população economicamente ativa, que se mostra insuficiente para pagar a conta.
A situação da previdência já é de insolvência e com futuro certamente catastrófico. Não resta outra saída a não ser uma discussão política compromissada para modificar completamente esse modelo, repactuando direitos e obrigações, antes mesmo de sua própria falência. Prolongar a idade da aposentadoria e o tempo de contribuição foi a fórmula adotada por outros países, a exemplo da Itália e Inglaterra, a fim de se evitar um colapso em seus sistemas previdenciários. E o Brasil não fugirá à regra. Não agir agora é cometer um ato de extrema irresponsabilidade com nossos idosos e as gerações futuras.
Em paralelo, é preciso que a sociedade assuma, de uma vez por todas, o compromisso de respeitar seus velhos. Também é preciso intensificar as campanhas de conscientização sobre o processo de envelhecimento e seus impactos na saúde, a fim de mudar a visão dos mais jovens com relação ao seu próprio futuro. A prevenção sempre será o melhor remédio!
Além disso, estimular a capacitação de profissionais especializados em geriatria e gerontologia para oferecer uma melhor assistência aos idosos, e adequar a eles os nossos planos de mobilidade urbana são, também, medidas de fundamental importância, assim como criar centros de convivência, centros-dia e instituições de longa permanência (ILPI), todos sob a tutela do poder público. Afinal, garantir às pessoas idosas o direito à saúde, à participação social e à segurança é, por lei, uma obrigação do Estado.
Fonte: atarde.com.br
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário